Armando Moreira

MIRADOURO

Comboios

Na semana passada, o Parlamento, a propósito do Orçamento do Estado, deliberou suspender a expansão do Metro de Lisboa, entre o Rato e o Cais do Sodré, que o Governo pretendia executar.


Reagindo a esta deliberação, o responsável ministerial explicou que o que ficou decidido na Assembleia da República elimina, no mínimo por três anos, qualquer hipótese de haver uma obra para expansão do mesmo. E explicitou: a empreitada teria de começar até ao verão deste ano, para estar concluída durante 2023. Senão, não pode ser financiada por fundos comunitários, porque o quadro comunitário acaba. Perguntarão, aqueles que nos leem habitualmente, o que é que nós, que vivemos aqui no Interior, temos com isto? Como vamos explicar, temos tudo a ver.

Vezes sem conta, já nos referimos à necessidade de reativar a Linha do Douro, desde Leixões até Barca de Alva, com vista à sua continuidade até Salamanca, para ligação a Alta Velocidade, desde esta cidade até Madrid. Esta reivindicação é feita desde há muitos anos a esta parte e agora com mais oportunidade pela CIM DOURO – Comissão onde se agrupam os 19 municípios do Vale do Douro.

Mesmo a simples eletrificação desta linha, na Zona de Marco de Canaveses, parecer ter emperrado, ao que se diz, por falta de verba, para o efeito. 
Ou seja, há falta de verba para melhorar uma ligação ferroviária, que é estratégica para o desenvolvimento de todo o Interior norte, mas há fundos comunitários para ajudar a financiar o Metro de Lisboa. Neste projeto, que agora o Parlamento mandou suspender, estariam previstos ser aplicados oitenta e três milhões de euros de Fundos Comunitários das Verbas de Coesão.

Ora, desde há muitos anos que se sabe, que os Fundos de Coesão não podem ser aplicados nos territórios que, pelo seu índice de desenvolvimento – como é Lisboa, já deles foram excluídos. Ou seja, esta obra estava a ser financiada por fundos europeus, indevidamente. 

O Jornal Público (6 de fevereiro) titulava que o nosso Primeiro Ministro é o campeão da Coesão, referindo-se ao encontro que promoveu em Beja, com os seus homólogos dos 17 países, que, em virtude da redistribuição comunitária, mais afetados vão ser, pela saída do Reino Unido da União Europeia, especificando que passou o dia em Bruxelas em imensos contactos para proteger as políticas de coesão dos cortes previstos.

Diríamos que é de louvar esta sua preocupação, tanto mais que a Comissária Europeia é portuguesa, a Dr.ª Elisa Ferreira e foi por ele indigitada para aquela pasta comunitária, que tanto interessa ao nosso país.

Diríamos, porém, que se os Fundos que vierem a ser atribuídos, não forem direcionados para as regiões que a eles têm direito, então, mais vale estar quieto. Porque Portugal não é só a sua capital.

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