Arquivo/VTM

Funcionários da Continental sentem-se “inseguros” com Covid-19

Empresa assegura que adotou as “todas as medidas de prevenção para garantir a segurança” dos colaboradores


Alguns funcionários da Continental, a filial de Vila Real que fabrica antenas inteligentes, mostram-se “muito apreensivos e inseguros” sobre as condições de trabalho na área da produção.

Em declarações à VTM, um dos funcionários, que pediu anonimato, revelou que a empresa informou que “vão tentar manter a produção” durante o maior tempo possível. No entanto, há vários empregados que não se sentem seguros em trabalhar tão próximos uns dos outros. “Estou a trabalhar num espaço com menos de um metro quadrado, onde estamos cinco pessoas, portanto, não é respeitado o distanciamento necessário, o que me deixa muito inseguro no meu local de trabalho”, contou.

Este profissional diz não compreender porque motivo as chefias "não estão na empresa" e lamenta que as medidas adotadas não sejam suficientes. “Muitas vezes, chego para fazer o meu turno e nem tenho desinfetante para lavar as mãos”, revela, adiantando que “há vários funcionários que estiveram em países de risco, como França ou Malta, e continuam a ir trabalhar, sem saber se estão ou não com o vírus”.

Um outro colaborador, que também não se quis identificar, confirmou que a distância entre as pessoas que trabalham na produção “não está a ser cumprida”, no entanto referiu que outro grande problema “é quando se deslocam para a cantina ou para o tempo da pausa”, onde têm de proceder “à identificação com os pés”. “Forma-se uma fila e parecemos sardinhas enlatadas”, lamenta, adiantando que quando alguém tosse, “ficam todos em pânico”.

Apesar do receio em falar abertamente sobre o assunto, o certo é que estes funcionários “não se sentem seguros” e defendem que a fábrica deveria “encerrar durante algum tempo por precaução e em defesa da saúde dos seus trabalhadores”.

A VTM contactou a Continental, que sublinhou que “está a seguir todos os procedimentos que estão a ser adotados pelo grupo a nível mundial, destacando que foi criada uma “equipa interna de Contingência, que tem reuniões diárias”, e sempre que se justifique, “implementa as medidas preventivas necessárias”.

Foram colocados “dispensadores de desinfetante em toda a fábrica, com especial incidência nos pontos de maior contacto, nomeadamente as entradas e saídas. Foi desativada a picagem do ponto e acesso às instalações através da impressão digital, estando apenas em vigor o acesso e picagem através do cartão de funcionário”.  

Fonte da Continental disse ainda que têm várias funcionárias de limpeza alocadas à higienização das superfícies comuns de toda a fábrica, como puxadores, corrimões ou secretárias”, além de ter um enfermeiro diariamente na fábrica que “faz auditorias ao plano de contingência e sensibiliza para o cumprimento das regras”.  

Acrescenta também que foi realizado um plano de contingência para a utilização da cantina e das áreas comuns, com a “restrição de as pessoas se sentarem a um metro de distância, as superfícies estão a ser higienizadas regularmente”. Foram feitos “novos horários de pausas e refeições para evitar aglomerados na cantina”, acrescentando que os funcionários da cantina “utilizam luvas e máscara”.

A Continental sublinhou que tem uma área de “isolamento pronta para receber possíveis casos suspeitos, equipada com todo o material necessário imposto dela Direção Geral de Saúde”.  

Há ainda alguns colaboradores em “teletrabalho para garantir o mínimo de pessoas possível nas instalações”, tendo ainda um “canal aberto de comunicação para sugestões ou dúvidas que possam surgir”.

Entretanto, a Continental adiantou ainda que "vai reduzir em um terço dos funcionários na próxima semana". 

 

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