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Em casa com os filhos? E agora?

Márcia Lapa é educadora de infância e, através do seu blog, tem partilhado com outros pais, dicas sobre o que poderão fazer com os seus filhos em casa, durante o período de quarentena


Está de quarentena desde que o primeiro-ministro António Costa anunciou o fecho de todas as escolas do país, a 12 de março. Professora contratada, natural de Vila Real, Márcia Lapa está colocada, este ano letivo, no Centro Escolar do Olival em Ourém, a quase 300 km de casa. 

Deixou de fazer a viagem e de dar as aulas presenciais na escola, mas continua o seu trabalho através do blog “A vida de uma educadora de infância contratada” que criou em setembro. Se inicialmente o utilizava para descrever a sua história profissional, longe de casa, agora partilha com outros pais e encarregados de educação, atividades que se podem fazer com os mais pequenos durante a quarentena. “Precisava de me sentir útil e ocupar o meu tempo, e comecei a ajudar os encarregados de educação dos meus alunos virtualmente, enviando atividades para os seus filhos realizarem, e pelo feedback que iam transmitindo noto que precisam de ser orientados nesta fase, pois nunca estiveram tanto tempo isolados em casa com os seus filhos e sem ajuda dos seus familiares ou amigos. Depois resolvi ajudar outros pais, avós, amigos, anónimos através de partilhas nas redes sociais. Acredito que não seja fácil para os pais organizarem as suas rotinas 24h com os filhos e dou uma salva de palmas àqueles que conseguem ver o lado positivo desta situação tão alarmante”, explicou a professora de 35 anos, celebrados, entretanto, em quarentena. 

No blog, e para além dos trabalhos manuais que vai propondo, Márcia já ensinou como fazer plasticina e tintas caseiras e até mesmo gomas que fazem as delícias dos mais pequenos. “Todas as atividades pensadas têm de ser bem estruturadas, com objetivos diferentes e que desenvolvam áreas de aprendizagem distintas e devo ter a sensibilidade de pensar em materiais que todos tenham acesso em casa. É possível realizar pinturas com tintas caseiras, massa de modelar com farinha, colagens com arroz, massas, feijão, jogos com palhas e rolos de cartão, frases e palavras com recortes de letras de jornais ou publicidades, etc, apenas precisamos de imaginação e são estas receitas que vou dando diariamente na minha página”. 

“O meu filho anda eufórico com a minha presença diária”

Márcia tem um filho com cinco anos e com o qual apenas estava durante o fim de semana, antes da pandemia ter chegado a Portugal. “A minha profissão obriga-me a estar longe dos que mais amo e agora estou com eles 24 horas por dia. É algo positivo no meio desta tormenta. Até o meu filho anda eufórico com a minha presença diária”, refere esta mãe que teve de explicar ao progenitor o porquê de ter que ficar tanto tempo em casa sem poder sair. “O meu filho sabe que este vírus deixa as pessoas doentes, algumas até muito doentes e entende que para nos protegermos temos de ficar em casa e sempre que saímos temos de lavar as mãos muito bem, trabalho este já feito pela sua Educadora”.

As atividades que partilha no seu blog são, também, desenvolvidas com o filho em casa onde as rotinas mudaram, apesar de o marido de Márcia continuar a sair de casa para trabalhar. “Sempre que chega a casa descalça-se à porta, despe-se na casa de banho, pega na roupa e coloca na máquina de levar e de seguida toma um banho”. 

Márcia confessa que a quarentena “não está a custar muito” e que “todos os dias são diferentes”, apenas mudou “a forma como via televisão”. “É proibido ver notícias relacionadas com este tema, pois o meu filho já se apercebe da gravidade das coisas. Temos estado atentos às notícias através dos nossos telemóveis”. 

A mãe e professora acredita que o Covid-19 trará lições importantes para a vida de todos aqueles que estão a passar por esta pandemia. “Depois disto passar acredito que as pessoas vão dar mais valor às coisas simples do dia-a-dia, como ir tomar um café, ir ao cinema, passear com o filho no parque, e acredito que irão dar mais valor ao tempo em família, ao ajudar o outro. Muitos vão passar a ser “amigos” das novas tecnologias, que durante estes dias aproximaram muitas famílias e amigos, principalmente os mais velhos, como pais e filhos, avós e netos. Nem tudo o que é tecnológico é mau. Penso que as pessoas também vão ter mais cuidado com a higiene pessoal do dia-a-dia”. Continuaremos em casa até tudo isto passar”, conclui.

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