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Emigrante conta como é viver e trabalhar perto de Itália

Fernando Escaleira, de 44 anos, vive há quase duas décadas na Suíça, no Cantão do Ticino, perto da fronteira com Itália. 


Trabalha numa empresa de construção civil, onde a maioria dos 100 funcionários são italianos. Numa altura em que o país é notícia em todo o mundo devido ao descontrolo da pandemia do novo coronavírus, Fernando explica à VTM como foram os últimos dias de trabalho na empresa de construção civil, que teve de encerrar por causa do Covid-19.

“Estou desde quinta-feira, dia 19 de março, em casa, assim como os meus colegas. A situação em Itália é dramática, o que levou o meu patrão a alugar casas na Suíça, para acolher os italianos que trabalham comigo”, de forma a evitar as deslocações ao seu país, como o faziam diariamente. 

Este emigrante transmontano confessou que, desde a primeira hora, a empresa onde trabalha aplicou as medidas recomendadas pelas autoridades, colocando à disposição dos funcionários desinfetantes, luvas e máscaras. “Como trabalham comigo muitos italianos, tentávamos cumprir ao máximo, até porque eles iam sempre para a sua casa em Itália, que fica a pouco mais de meia hora de distância de carro”.   

Questionado sobre o facto de ter ou não receio de estar tão perto de pessoas que vivem num país onde a pandemia tomou proporções inimagináveis, Fernando confessa que “sempre se manteve tranquilo”, mesmo sabendo o que se está a passar ali tão perto. “É muito difícil o que está a acontecerem Itália, os médicos não têm mãos a medir e têm de optar por quem poderão salvar. É mesmo muito triste viver nesta situação inesperada”. 

No dia em que a empresa enviou todos os funcionários para casa, Fernando esperava vir para Portugal e já tinha a viagem comprada há meses, mas a companhia aérea acabou por cancelar todos os voos e desta forma não conseguiu viajar até Vila Real, a sua terra natal. “Tive de ficar aqui, até tinha combinado colocar umas portadas na minha casa em Portugal, mas não consegui viajar”, lamenta, adiantando que, na Suíça, a situação está “bem mais calma” do que no país vizinho, no entanto, há medo e a maioria das pessoas não sai de casa. “Está praticamente tudo fechado, desde escolas, cafés, restaurantes, lojas comerciais. Apenas estão abertas as farmácias e os supermercados”.

O DIA A DIA MUDOU

Também por terras helvéticas, a ordem é para não sair de casa e Fernando tem cumprido, juntamente com a mulher Fátima e os dois filhos menores, Rute e Samuel. 

Na pequena localidade Arbedo e na vila mais próxima, as ruas estão vazias, não há movimento e os suíços “são cumpridores”. “E, nós, também temos de seguir as normas”, confessa, adiantando que é possível ir ao supermercado, à farmácia, em que há regras de distanciamento que têm de ser cumpridas. “Temos de ter paciência, as filas à entrada por vezes são grandes e temos de esperar mais tempo para fazer as compras. Na última vez que fui, tive de esperar mais de uma hora na fila”.  

A pandemia mudou a rotina de milhões de pessoas em todo o mundo e, agora, o dia a dia de Fernando mudou muito e é passado em casa, junto dos filhos e da mulher. Tentam passar o tempo da melhor forma possível, contactando com a restante família, que está espalhada um pouco por todo o mundo, como Inglaterra, Canadá ou França. “Estou mais na internet a falar com os meus irmãos, os meus pais e os meus tios. Há mais tempo para falar com eles pelas redes sociais”.

Com as escolas fechadas, os filhos recebem os trabalhos de casa por computador e têm de os fazer e reenviar para os professores. “Até agora está tudo a correr bem. Vamos ver o que o futuro nos reserva, pois ninguém sabe o que poderá ainda acontecer”.

No verão, espera vir passar as férias a Portugal, como sempre o fez nestes quase 20 anos de emigrante.

Recorde-se que a Itália é o país mais afetado pelo Covid-19, onde já morreram mais de 6800 pessoas e 70 mil estão infetadas.  Estes dados foram recolhidos até à hora de fecho desta edição.

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