Rafael Neto

Restauração afetada pelo Covid-19

O Balsa, em Vila Real, e o Europa, em Vila Pouca de Aguiar, são apenas
dois dos restaurantes que se viram obrigados a fechar devido à pandemia


Ao longo de 18 anos, Francisco Balsa já enfrentou várias “crises”, mas os últimos dias, diz, “têm sido muito complicados”. A culpa é do novo coronavírus que afasta os clientes, que se veem obrigados a ficar em casa, como forma de se protegerem. 

Há dias, o Governo esclareceu que os restaurantes podem continuar a funcionar, desde que em regime de take away e/ou entrega ao domicílio, e é isso que muitos têm optado por fazer, para que de aguma forma consigam fazer face às despesas. 

“Tenho seis salários para pagar, aos quais se juntam impostos, renda, água e luz. Estamos fechados, não porque queremos, mas porque assim tem de ser e as despesas continuam a existir”, explica Francisco Balsa, que se mostra apreensivo quanto ao futuro até porque “vai ser um longo caminho até que tudo volte ao normal”.

Desde domingo que este restaurante, situado junto à antiga estação ferroviária de Vila Real, tem em funcionamento o serviço de take away, com cada dose a custar sete euros. “Quem nos procura tem de aguardar à porta e redobramos os cuidados de higiene”, garante o proprietário. 

Os primeiros dias “até têm corrido bem”, mas a preocupação de Francisco aumenta quando pensa no verão, altura “em que trabalhamos muito com emigrantes. E se eles não vierem, vai ser complicado para o negócio”.

Por agora, Francisco Balsa diz que o importante é viver um dia de cada vez. 

“JÁ PENSEI EM FECHAR”

Sónia Ferreira é uma empreendedora nata. Há 17 anos abriu um salão de cabeleiro, que mantém até aos dias de hoje, e mais recentemente abraçou o desafio da restauração, mas estava longe de imaginar que seria tão complicado.

“Abri o restaurante em janeiro, que por si só é um mês fraco. Agora, com isto da pandemia, a situação é ainda mais complicada”.

A proprietária do restaurante Europa, em Vila Pouca de Aguiar, garante que “já pensei, seriamente, em fechar portas definitivamente porque vai ser difícil fazer face às despesas mensais”.

“Tenho três filhos para sustentar, tenho rendas para pagar, empréstimos, água, luz, impostos. Não é nada fácil”, explica Sónia Ferreira que, para além das ajudas previstas pelo Governo para o setor, pede “compreensão dos senhorios”. “Caso não dependam exclusivamente das nossas rendas, os senhorios deviam baixá-las ou perdoá-las para nos ajudarem”.

Com o restaurante fechado há uma semana, Sónia está desde domingo com o serviço de take away, só à hora de almoço, “mas não está a correr muito bem. As pessoas não saem de casa, e com razão”.

A juntar a tudo isto, Sónia sofre por estar longe dos filhos. “Os dois mais novos estão em casa dos meus sogros, por segurança, tendo em conta que o meu trabalho implica contacto com o público. Lá os vou vendo pela janela”. 

Avizinham-se tempos difíceis para a restauração, setor que irá beneficiar das linhas de crédito anunciadas pelo Governo, num total de 300 mil milhões.■

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