Armando Moreira

Descolonização / Migração


Ainda o drama dos refugiados que diariamente demandam a Europa. A União Europeia – EU, e a África, vai fazer uma parceria para o futuro. Foi assim que foi anunciado há menos de quinze dias, por Josep Borrell, alto representante da EU para os Negócios Estrangeiros e vice-Presidente responsável por uma Europa mais forte no mundo.

De que é que trata esta parceria? Segundo se afirma: A Europa olha cada vez mais para África, mas com novos olhos. Há a ambição de elevar a parceria a um outro nível. Queremos que os jovens de África participem na construção do seu próprio futuro de preferência em parceria com outros. E se os progressos em África em determinados domínios são reais, subsistem muitos problemas: a pobreza persistente, os conflitos e os direitos democráticos ameaçados. A duplicação da população prevista, oferece possibilidades reais, mas também exige ação.

O que é que constitui a essência desta parceria União Europeia / União Africana, orientada para o futuro? Cinco pontos:  A transição para a economia verde e acesso à energia; A transformação digital; O crescimento sustentável e emprego; Paz e Governação. (Silenciar as armas), e migração e mobilidade. 

Em teoria, parece-nos um bom propósito da União Europeia. Porém, impõe-se esta pergunta. Para que África é que a Europa dirige esta parceria? Aos países banhados pelo mediterrâneo, que maior influência recebem dos países do Sul da Europa? Ou aos situados a Sul do Sara e os equatoriais, cujo atraso civilizacional ainda é tão evidente? Para nos lembrar os permanentes conflitos dos povos situados no Golfo Arábico, ou de uma Líbia, que nunca foi uma Nação, porque jamais teve um poder político organizado, depois que a Itália (país colonizador) a abandonar à sua sorte? 

Tudo isto para dizer, que esta parceria que a Comissão Europeia, está a oferecer à União Africana, não encontrará grandes interlocutores, a nível das lideranças e também porque os estádios de desenvolvimento das dezenas de países africanos a quem se dirige a parceria, são completamente distintos. 

Que as Nações Europeias, outrora potencias colonizadoras têm a restrita obrigação de contribuir para o desenvolvimento daquelas sociedades, que deixaram há pouco mais de meio século, isso é bem evidente. Receamos, porém, que esta parceria, que agora tão genericamente se propõe, não passe de mera panaceia, para tranquilizar as consciências daqueles que ainda não esqueceram que terá sido um erro grave o abandono atabalhoado da primeira metade do século passado.

Serão estes os novos olhos que a parceria refere?■

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