Arquivo/VTM

“Queremos ter prioridade nos testes de Covid-19”

Apelo surge na sequência de vários casos positivos em elementos das forças de segurança.


O número de infetados pelo novo coronavírus na Polícia de Segurança Pública (PSP) tem vindo a aumentar. Em Trás-os-Montes, por exemplo, há quatro casos confirmados na esquadra de Mirandela e um na de Vila Real.

Carlos Torres, presidente do Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP) em declarações à VTM, mostrou-se apreensivo porque “o Governo diz que os polícias têm prioridade em fazer os testes de Covid-19, quando na verdade isso não acontece”.

As declarações do líder sindical, que é polícia em Vila Real, diz ser “inaceitável” a falta de rastreio, principalmente “quando há agentes que contactaram com alguém que acusou positivo”, referindo-se ao agente da PSP local que foi esta semana dado como infetado por coronavírus.

“Estamos preocupados porque, primeiro somos poucos no efetivo, e depois porque ao não se testarem os polícias não se sabe se estão infetados ou não”, colocando em causa o bom funcionamento da polícia.

Estas preocupações são também as de Paulo Pereira, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP). “É uma situação preocupante tendo em conta que os colegas que contactaram com o agente infetado continuam a trabalhar e ainda não fizeram os exames de despistagem”.

“Em Vila Real o comando da PSP é envelhecido, com falta de efetivos há muito tempo, e esse problema está identificado há muito tempo, mas o Governo parece que se tem esquecido de nós”, conta, lembrando que “estamos na linha da frente e, em caso de surgirem mais casos, não sabemos quem irá assegurar o trabalho porque não se fazem polícias à pressão”.

As duas frentes sindicais reúnem-se esta segunda-feira com o Ministério da Administração Interna. Uma das reivindicações será a obrigatoriedade de testes de despistagem de covid-19 para os agentes da PSP, tendo em conta que “podemos estar infetados e não apresentarmos sintomas. Ao estarmos em contacto com o público vamos acabar por infetar outras pessoas e isso não é nada bom”, conclui Paulo Pereira.

A forma como os turnos estão a ser feitos vai ser também um dos assuntos em cima da mesa, isto porque apesar da informação que tem sido dada, quem trabalha na esquadra tem feito os horários normais e não em “espelho”, algo que acontece, por exemplo, nos serviços administrativos.

Notícia desenvolvida na edição de 9 de abril

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