Armando Moreira

MIRADOURO

Plano de recuperação (o paraministro)


Transcrevemos o teor do despacho, publicado no dia 3 de junho no Diário da República, acerca da nomeação do Professor do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa e Presidente da Comissão Executiva do Partex Oil and Gas.  Trata-se do Professor Doutor António Costa e Silva, cuja e idoneidade, experiência e competência são publicamente reconhecidas, para assegurar a coordenação dos trabalhos preparatórios de elaboração do Programa de Recuperação Economico e Social 2020-2030. Não podemos deixar de aplaudir. 

Porquê? Porque, as poucas intervenções públicas que ouvimos fazer a este Catedrático, mereceram a nossa total concordância. Aqui lhe desejamos a maior das sortes, na apresentação das suas propostas, porque elas vêm, na sua generalidade, ao encontro do que semanalmente vimos defendendo, para ver se tiramos este nosso país do atoleiro burocrático em que normalmente é governado. 

Desenvolver, desenvolver, desenvolver – investir, investir, investir.  Sim esta deve ser a palavra de ordem, ao contrário do que vínhamos ouvindo: reverter, reverter, reverter, ou devolver, devolver, devolver, rendimentos, que nunca soubemos a quem pertenciam. 

Tem-se colocado, nesta nomeação do Prof. Doutor Costa e Silva, a seguinte questão: Porque é que um Governo gigantesco, com 19 Ministros e 50 Secretários de Estado, precisa agora de um Paraministro, para coordenar os trabalhos da elaboração do Programa de Recuperação Económico Social 2020-2030? 

A resposta só pode ser dada pelo Chefe do Executivo, que é o único responsável pela existência de um tão gigantesco Governo, como aqui já escrevemos, aquando da sua nomeação, tão grande que pouco de nós conhecerão todos os seus nomes e respetivas funções. 

Aceitamos porém, que nesta emergência, em que a União Europeia, vai disponibilizar verbas de mais de 26 milhões, do novo Fundo de Recuperação da UE, a que Portugal pode ter direito para atacar a crise e preparar a reestruturação da economia, não serão os 70 elementos do Executivo atual, que terão capacidade para formular uma proposta credível, em prazo curto, para poder ser aceite pela Comissão Europeia. Porque, conforme vem sendo escrito, estes Fundos Excecionais, só serão disponibilizados se forem direcionados para os sectores, ideias e projetos que visem uma reestruturação modernizadora configurada para encaixar na prioridade de tornar o Espaço Económico Único, mais autónomo, para as outras economias.

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