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Intervenções de sustentabilidade ambiental transformam a UTAD num Ecocampus alinhado com a agenda 2030

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a desenvolver um conjunto de ações que visam a sustentabilidade ambiental da instituição, integradas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.


São estes Água Potável de Saneamento (ODS 6), Energias Renováveis e Acessíveis (ODS 7), Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11), Produção e Consumo Sustentáveis (ODS 12), Ação Climática (ODS 13) e Proteger a Vida Terrestre (ODS 15).

A sustentabilidade das instituições, em alinhamento com os 17 ODS da Agenda 2030, deve ser encarada como garantia de um futuro melhor. Por esse motivo, a UTAD, ao longo dos últimos anos, preconizou uma mudança de paradigma no consumo eficiente de água, na produção e consumo eficiente de energia, na promoção da mobilidade sustentável e na produção e valorização de resíduos, cujo impacto no ambiente é positivo.

Este conjunto de ações transforma o Campus da UTAD num verdadeiro Ecocampus, cujo reconhecimento e certificação internacional foram obtidos, recentemente, nos Sistemas de Gestão Ambiental e de Gestão de Energia, em simultâneo, por um período de três anos. Pretende-se que o Campus da UTAD, que concentra o maior Jardim botânico da Península Ibérica, e que integra mais de 6.500 árvores, possa ter um balanço positivo de carbono.

Consumo de Água

Ações concretas relativas ao consumo eficiente de água refletem a instalação de mais de 500 torneiras redutoras de consumo de água e sistemas de bombagem eficientes. A acompanhar estas ações existe também um plano de intervenção rápida para colmatar e controlar a existência de fugas.

Consumo de Energia

Neste campo, as intervenções realizadas traduzem-se numa redução superior a 70% nas emissões de gases com efeito de estufa, além de uma redução superior a 25% no consumo de energia.

Para estes resultados foram substituídos 35000 m2 de materiais pouco amigos do ambiente por materiais energeticamente eficientes, com vista ao melhoramento das envolventes opacas e envidraçadas dos edifícios. Neste capítulo, foram também realizados investimentos em fontes de energia renovável, nomeadamente a instalação de caldeiras de produção de água quente a biomassa, numa potência superior a 2,5MW e a instalação de cerca de 1000 painéis fotovoltaicos, que representam uma potência superior a 250kW. Foram ainda substituídas cerca de 12000 lâmpadas de tecnologia obsoleta por sistemas baseados em tecnologia LED, o que permitiu uma redução da potência instalada num valor superior a 400kW. Foram também instalados novos sistemas de climatização de eficiência elevada, eliminando-se da instituição gases fluorados, pouco amigos de ambiente.

Neste âmbito, a UTAD obteve já certificação para 25 edifícios, dentro do programa para a certificação energética de edifícios, ao abrigo do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (Decreto-Lei nº 118/2013).

Mobilidade Sustentável

 

A UTAD possui duas viaturas elétricas e instalou nos Campi quatro postos de carregamento de viaturas elétricas. Tem em curso uma empreitada que visa a melhoria das acessibilidades, a criação de uma ciclovia no interior do Campus com cerca de 6,7km de extensão e que fará ligação à ciclovia da cidade de Vila Real.

Está prevista também a melhoria das condições da mobilidade pedonal, com particular atenção às pessoas com mobilidade reduzida. Foram ainda realizadas intervenções para melhoramento de passeios e trilhos pedonais numa extensão superior a 10km.

Gestão de Resíduos

 

Nesta área foi desenvolvido o Plano de Gestão de Resíduos da UTAD e um plano de promoção de separação e de reciclagem de materiais, tendo resultado numa redução muito significativa de resíduos que são remetidos para aterro sanitário. Ainda neste âmbito foi também desenvolvido o Plano de Gestão de Efluentes.

Primeira instituição não empresarial com certificação internacional em ambiente e energia

O Campus da UTAD obteve, recentemente, certificação internacional relativa aos Sistemas de Gestão Ambiental e de Gestão de Energia, em simultâneo, por um período de 3 anos, tendo cumprido todos os requisitos exigidos. Os sistemas implementados, para as atividades de Ensino Universitário e Investigação, realizadas no Ecocampus, dizem respeito aos referenciais NP EN ISO 14001 e NP EN ISO 50001:2019.

“Trata-se de mais um passo na afirmação da UTAD como instituição que privilegia o uso eficiente de recursos numa perspetiva ecológica e de melhoria contínua dos espaços oferecidos a trabalhadores e estudantes”, explica Amadeu Borges, Pró-Reitor da UTAD para a área do Património e Sustentabilidade.

O também investigador do Centro de Química de Vila Real, e responsável pela implementação dos Sistemas de Gestão Ambiental e de Energia na UTAD, acrescenta que “a obtenção desta certificação foi um processo longo, tendo em conta as muitas exigências requeridas para cumprimento das normas”.

Em Portugal, “são poucas as instituições que possuem certificação nestes referenciais, sendo que a UTAD é a primeira instituição não empresarial a obter a certificação simultânea nos dois referenciais. Na Europa, fazemos parte de um grupo com menos de 10 instituições, a sua maior parte do Reino Unido, que possuem esta dupla certificação.” afirma o pró-reitor, tendo sido também a “primeira vez que uma Instituição de Ensino Superior se submeteu a critérios exigentes, como os requeridos por estas normas, em simultâneo, normalmente solicitados por indústrias, mas apenas em um dos referenciais”, acrescenta.

A obtenção destas certificações para um Campus com cerca de 130 hectares, com 46 edifícios e com cerca de 7000 utilizadores, “apresentou enormes desafios, muito dificilmente encontrados no setor indústria”, fazendo com que a “vontade de melhorar seja ainda maior”, salienta o mesmo responsável.

Este é um “ponto de viragem” para a UTAD, sendo ao mesmo tempo concluído um conjunto de medidas de melhoria da eficiência energética que, com financiamento do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, “irá permitir trazer os edifícios, alguns com 40 anos, ao século XXI, em termos de consumo de energia”, conclui Amadeu Borges.

 

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