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Nova administração da Sousacamp acusada "de má-fé" na negociação de despedimentos

O sindicato SINTAB acusou hoje a nova administração do grupo Sousacamp de “má-fe” ao confrontar os trabalhadores com o pagamento faseado de indemnizações num processo de despedimento coletivo, caso rejeitem as propostas de rescisão amigável.


O grupo de produção de cogumelos, sediado em Vila Flor, no distrito de Bragança, acabou de sair de um processo de insolvência judicial com a venda à gestora de capital de risco CoReEquity que obteve um perdão de 54 milhões da dívida, correspondente a 75% do valor total dos 70 milhões de euros de créditos.

A nova administração persiste na dispensa de quase uma centena de trabalhadores, entre os que já foram despedidos e novas rescisões, e, segundo o sindicato “tenta amedrontar dizendo que, caso não aceitem a proposta apresentada agora, encetará um processo de despedimento coletivo onde, apesar de ter o dinheiro disponível, pagará em 12 prestações mensais”.

A Sousacamp já teve 450 trabalhadores nas três empresas do grupo, em Benlhevai (Vila Flor), Vila Real e Paredes, e o objetivo imediato definido no processo de insolvência é reduzir o número a 370.

O SINTAB - Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal considera “absurda a posição da nova administração, quando faz novas abordagens para rescisão, garantindo pagamento imediato das compensações por cessação de contrato, mas apenas no caso de os trabalhadores aceitarem, caso contrário, serão despedidos e a compensação paga em 12 meses”.

“Esta é uma posição vergonhosa que demonstra descarada existência de má-fé, deixando antever a possibilidade do pagamento da compensação em prestações, só porque sim, pelo prazer de subjugar o trabalhador a essa penosidade, uma vez que está garantido que a existência de dinheiro não é um problema”, refere, em comunicado.

O SINTAB “alerta, mais uma vez, para o absurdo que representa esta solução, apoiada no perdão de dívida com dinheiro maioritariamente público, sem que se tenham garantido contrapartidas ao nível da manutenção dos postos de trabalho”.

Os maiores credores da Sousacamp, que perdoaram parte substancial da dívida, eram o Novo Banco, com 30 milhões de euros, a Caixa de Crédito Agrícola, com cerca de 16 milhões, e o IFAP (Instituto do Financiamento da Agricultura e Pescas), com cerca de 17 milhões de euros de financiamento a projetos.

As empresas nunca deixaram de laboral e os trabalhadores mantiveram os salários em dia, nomeadamente com a antecipação de dois milhões de euros por parte da CoReEquity, que ficou com 90% do maior produtor português de cogumelos.

A nova dona da Sousacamp assumiu, segundo ao acordo, um investimento de 12 milhões de euros no grupo e uma dívida de 14 milhões.

Os restantes 10% do capital do grupo foram assumidos pelo grupo português Sugal, que se dedica à produção à base de tomate.

 

 

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