Luís Pereira

Que nos tapa os olhos

Em celebração dos 95 anos da elevação de Vila Real à condição de Cidade, somos brindados por mais um acontecimento (repetido) que marca toda a história da municipalidade contemporânea desta cidade.


A cidade cresceu mas não se renova em jeito algum, e no dia da celebração e a jeito de repetição da sua história destrutiva, assiste-se a mais um atentado sobre um património cultural em vias de classificação, provocado por obras de saneamento que passam junto da calçada romano-medieval, património que a junta de freguesia da Campeã apresentou à Assembleia Municipal e à Câmara Municipal de Vila Real. Caso para perguntar publicamente sobre quem é o responsável pela salvaguarda do património cultural deste município e o que realmente faz pela sua preservação?

Infelizmente casos destes são recorrentes, e quando alguém reconhece o potencial  patrimonial, depressa é ignorado por quem, de Dever Público e Constitucional, devia proteger! Discussão pública sobre a preservação do património não há! Apresentação na assembleia municipal também não é suficiente, tal como petições públicas ou outro tipo de manifestação em prol da defesa de bens comuns, tal como o património cultural, monumental e ambiental.

Obras, essas há muitas, com ou sem discussão pública apresentam-se novos projetos que não desenvolvem a cidade ou o concelho, mas impulsiona apenas a construção civil. Temos calçadas novas a proliferar coloridamente pela cidade, passadiços construídos na natureza, para ver a natureza no seu pleno e com visão panorâmica para a cidade, o caos urbanístico do século XX. Em breve, uma nova ponte irá ligar ao local mais histórico da cidade, a Vila Velha, que foi um povoado fortificado da proto-história, um reduto de defesa deste território e um marco de presença territorial, e que na Idade Média deu fundamento ao foral Dionísio, culminando no século passado na passagem para cidade.

Mostra-se que se trabalha muito em construções que não desenvolvem a cidade, mas que condiciona as actividades económicas, quando o objectivo seria impulsionar o centro e tornar atrativa esta cidade para evitar a perda de habitantes na cidade, no concelho e no distrito, e quem sabe até cativar novos povoadores, relembrando assim o Foral de 1289.

Agora lança-se nova discussão pública que não é mais do que apresentação megalomaníaca construtiva, sem que exista um claro plano económico e social, apenas para deixar a marca da existência que nos tapa os olhos.

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