Victor Pereira

Não aprendemos nada com a história?

George Steiner, lamentava, aqui há uns tempos, o quanto tem sido trágico para a história da humanidade o não se aprender nada com a história. 


Referia-se ao “antissemitismo que está presente mesmo na minha amada Inglaterra. Está a crescer, a multiplicar-se”. Era impensável que depois de se terem cometido as barbaridades que se cometeram contra os judeus ao longo da história, com o compromisso de não se odiar jamais um povo daquela forma, se voltasse a assistir a uma escalada de ódio e violência contra o povo judeu. 

Não gostei de ver algumas manifestações que aconteceram na sociedade portuguesa de grupos pedindo a retirada de algumas pessoas negras do país, nas palavras deles, inimigos da pátria portuguesa, e proclamando alguns princípios da sua cartilha xenófoba e nacionalista. Repete-se a pergunta: será que não aprendemos nada com a história e queremos estupidamente repeti-la? Movimentos desta natureza mancharam tenebrosamente a história da humanidade, assentam em preconceitos e premissas erróneas (o mal está sempre no outro, sobretudo no imigrante, causa de todos os males), não podem ter qualquer justificação e sustentação. E com toda a leviandade do mundo estendem-se palmas e fazem-se encenações a imitar o indescritível movimento norte-americano Ku Klux Klan. Saberão estas pessoas as atrocidades, os crimes hediondos que este movimento racista cometeu na América? Marcou uma das páginas mais negras da história dos Estados Unidos da América. É impensável que se continue a alimentar na sociedade este tipo de ideologias e de posicionamentos sociais e políticos. 

Não pode ser este o caminho a seguir, caminho que nos arrasta para o lamaçal do ressabiamento, do revanchismo, da intolerância, da injustiça, do sofrimento, da incompreensão mútua, da infernização da vida de todos. Chega de extremismo, ódio, racismo, xenofobia, violência, fanatismo nacionalista, de intolerância para com a diferença, combate e luta entre culturas, preconceitos imbecis, culpabilização injusta dos outros e do diferente pelos nossos males, de ver o outro sempre como uma ameaça à nossa felicidade e à nossa prosperidade, de alimentar sentimentos para destruir o outro. O caminho certo é a assimilação e promoção da tolerância, respeito por todos, pela diferença, pelas culturas, pela imigração, pela identidade de cada pessoa humana, pela dignidade humana de cada ser humano, que tem direito a existir, a ser e a viver em liberdade onde quer que se encontre.

Comentários