Vitor Pimentel

Envergonhar Chaves

Já muito se debateu sobre o referendo da abertura ao trânsito da Ponte de Trajano, mais conhecida por Ponte Romana. No entanto, e porque o estéril e absurdo referendo se realiza no próximo domingo, dia 13 de setembro, e apenas 10 dias antes foi conhecido um “pseudo-relatório” de inspeção técnica, impõe-se abordar novamente o assunto


Convém lembrar que o tal relatório foi adjudicado, por ajuste direto, em pacote, a uma empresa em finais de abril, pelo custo de 19.960,00 euros + IVA, com um prazo de execução de 60 dias (fonte base.gov). Passados mais de 120 dias, o que se pode ler é um pobre documento de nove páginas onde se inclui capa, índice e uma última página praticamente em branco. 

No dito relatório lê-se o seguinte: “apesar de não se terem identificado indícios de anomalias de cariz estrutural relevantes, não é possível assegurar com uma mera inspeção visual as condições de segurança da estrutura e sua capacidade resistente a determinadas solicitações, nomeadamente à passagem de tráfego”.

Resumindo, não existe um verdadeiro estudo de estabilidade da ponte, não existe um parecer da entidade que tutela a ponte (DGPC), não existe um sentido definido para o trânsito da ponte. No entanto, devido a um “fait divers” político, mantém-se a população flaviense entretida com algo que nem deveria existir nestas condições, e à mercê de um presidente que não diz porque faz o referendo, não manifesta opinião, e pior, desculpa-se dizendo que o povo é soberano.

Num concelho em que, infelizmente, os casos de Covid-19 estão no nível mais alto desde o início da pandemia, expõe-se a população ao risco para votar um não assunto. Contudo, na semana em que os nossos filhos regressam à escola, não existe um plano, uma diretiva, uma intenção de testagem ao pessoal docente e não docente das escolas, ou um plano para proteger a economia local.

Recorde-se que este referendo, promessa não escrita, se sobrepôs a outras promessas escritas, como a elevação da Ponte Romana a Património Mundial da UNESCO, os 500 postos de trabalho, o pavilhão multiusos, as piscinas municipais ou a aquisição de casa devolutas no centro histórico, entre outras.

Uma coisa é certa, esta mirabolante ideia chamou a atenção, inclusive da imprensa nacional. Pena é que tamanha trapalhada tenha apenas servido para envergonhar Chaves.

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