Alfredo Mota

Lares e não só…

Soube-se agora que no nosso país 40% das mortes devido à Covid-19 ocorreu em lares. Destes, o que mereceu maior atenção, pela negativa, foi o de Reguengos de Monsaraz (RM) onde morreram 18 pessoas


A tragédia que aconteceu neste lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva teve uma enorme repercussão em todos os setores da vida nacional, originando violentas críticas à Ministra Ana Mendes Godinho, responsável por estas instituições. Entretanto, uma auditoria da Ordem dos Médicos pôs a nu todo um rol de insuficiências, de incapacidades e de más práticas constatadas naquela instituição. 

O Primeiro-Ministro, António Costa, não gostou da verdade e por isso resolveu atacar os médicos, apelidando-os de “cobardes”. Mas, mais grave ainda é que este tipo de lares (públicos, sociais e privados) com práticas e funcionamento claramente impróprios e até ilegais (alguns clandestinos), não se limita a RM, mas prolifera por todo o país. 

No jornal Público de 26/08/2020 vem um artigo da autoria da Enfermeira Carmen Garcia que aborda este tema, baseada na sua experiência pessoal em que a descrição feita do lar de RM e de outros se assemelha muito à de um “campo de concentração”! 

Entretanto, todos nos espantamos que ninguém até agora tenha sido responsabilizado por esta tragédia, desde a direção do lar até às autoridades políticas e que, mais uma vez, como acontece habitualmente no nosso país, a culpa vá morrer solteira. 

A denúncia feita no jornal Público por João Miguel Tavares dos cargos que o Presidente do lar, que também é o Presidente da Câmara de RM, acumula por inerência e por militância no PS é um escândalo que nos faz lembrar os tempos dos senhores feudais. 

António Guterres, político sério e de grande qualidade, quando em 1995 ganhou as eleições legislativas para o PS, já adivinhando o que aí vinha, logo alertou Jorge Coelho: ”No jobs for the boys”. Mas a cereja no topo do bolo da militância partidária de muitos “jotas”, sem conhecimentos e sem experiência, é o tacho, por isso os ministérios, direções-gerais, institutos, câmaras, etc. estão inundados de amigos que como por magia se tornaram especialistas para poderem ocupar os lugares de assessores, conselheiros, secretários, chefes e diretores disto e daquilo, tudo por convites, sem qualquer concurso público. Basta ver o currículo de alguns ministros e secretários de estado para nos apercebermos dos “galambas” deste governo! 

Na verdade, o que o país precisa é de governantes competentes que sejam bons técnicos com conhecimentos e experiência e não de “políticos jotas” que nada sabem da vida. Quanto aos lares, porque não aprender com aqueles que são um exemplo como o de Vilar de Maçada (Alijó), visitando-os e convidando os seus responsáveis a apresentarem a sua organização e as suas práticas

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