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Enchimento da barragem de Daivões já começou e depende agora das chuvas

O enchimento da albufeira de Daivões, barragem localizada em Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, e inserida no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), já foi iniciado e depende agora das chuvas dos próximos meses, revelou hoje a Iberdrola.


“O túnel de desvio de Daivões já foi fechado durante o mês de agosto. Portanto, o enchimento já foi iniciado conforme previsto e agora vai depender logicamente das chuvas dos próximos meses”, explicou a elétrica espanhola numa resposta por escrito à Lusa.

Questionada sobre um ponto da situação sobre o SET, a Iberdrola realçou ainda que todo o processo está a decorrer “de acordo com o Plano de Enchimento aprovado pela Agência Portuguesa do Ambiente”.

A empresa mantém a previsão para que em 2021 arranque a exploração comercial.

Na mesma resposta, a elétrica espanhola revelou que os trabalhos de betonagem da barragem e central do Alto Tâmega, outra das barragens que compõe o SET, foram adjudicados à empresa portuguesa Conduril e “terão uma duração de aproximadamente três anos”.

As obras de escavação da barragem e da central, que se tinham desenvolvido nos últimos meses, já foram totalmente concluídas e os trabalhos da empresa Conduril tiveram início em julho, acrescentou.

A empresa assegura ainda que estas têm decorrido “no mais estrito respeito pelas normas de segurança no trabalho e tendo em conta o plano de contingência adotado pela Iberdrola para fazer face à pandemia de covid-19”.

A Iberdrola informou em março de 2019 que tinham sido “parcialmente suspensas” as obras do aproveitamento hidroelétrico de Alto Tâmega, após ter “identificado condições geológicas no local não previstas durante a fase de estudo”.

Em 25 de setembro de 2019, a empresa informou que tinha aberto concurso para a conclusão da central e barragem do Alto Tâmega, após rescisão com o consórcio liderado pela Mota-Engil.

O SET, que foi concessionado à espanhola Iberdrola e inclui a construção das barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, tem tido um percurso polémico.

O projeto hidroelétrico foi apresentado oficialmente em 2009, no ano a seguir perdeu uma das quatro barragens inicialmente previstas por imposição da Declaração de Impacto Ambiental (DIA), as obras começaram em 2014 e as previsões apontam a sua conclusão para 2023.

De acordo com dados fornecidos pela empresa, o SET tem impacto em 59 casas, das quais 49 situam-se em Ribeira de Pena e, destas, 43 são diretamente afetadas pela albufeira de Daivões.

As restantes casas ficam situadas em Boticas, Chaves e Vila Pouca de Aguiar e serão atingidas pela albufeira de Alto Tâmega.

Algumas famílias queixaram-se das indemnizações pagas pela concessionária espanhola, tendo sido apontados casos em que o valor indemnizatório não chegava para a construção ou aquisição de uma nova casa.

Os processos de desalojamento dos moradores foram revistos, uma negociação intermediada pela Câmara de Ribeira de Pena e acompanhada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

Em dezembro, foi acordado o pagamento pela Iberdrola de mais 1,4 milhões de euros de indemnização às famílias afetadas, tratando-se de uma compensação adicional para a construção de casa. Os primeiros cheques foram entregues em maio.

No início deste ano trabalhavam no SET cerca de 1.800 pessoas, das quais perto de 370 eram dos municípios da região.

Em março, preocupado com a pandemia de covid-19 e a grande mobilidade de trabalhadores, nomeadamente espanhóis, o presidente da Câmara de Ribeira de Pena pediu a suspensão temporária, mas imediata, das obras nas três barragens que fazem parte do SET, o que nunca viria a acontecer.

Os três aproveitamentos hidroelétricos que integram a “gigabateria do Tâmega” (Gouvães, Daivões e Alto Tâmega), totalizam uma potência de 1.158 megawatts (MW), alcançando uma produção anual de 1.760 gigawatts hora (GWh), ou seja, 6% do consumo elétrico do país.

  

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