Armando Moreira

MIRADOURO

Floresta: Uma aposta estratégica

A floresta deve ser considerada como um ativo crucial de Portugal, com um papel estratégico na recuperação económica do país e no desenvolvimento, diz o Professor António Costa e Silva, consultor do Governo, na sua visão estratégica que expressa no Plano de Recuperação Económico de Portugal para o período 2020-2030. 


Se para uma parte do país, o setor florestal não terá grande importância, para as regiões do interior, como Trás-os-Montes e Alto Douro, o desenvolvimento da Floresta é claramente crucial, para operar a coesão territorial, englobando a dinamização da agricultura e a transformação da paisagem.

Temos insistido na necessidade de olhar para este setor da floresta como vital, uma vez que, mais de 75 % da nossa área não tem aptidão para outros usos agrícolas mais rentáveis.

Nos anos de cinquenta a setenta do século passado, os Serviços Florestais levaram a cabo o trabalho de florestação de tudo o que eram terrenos baldios e outros, tendo transformado os “calhaus” das nossas serras em pinheiros, para além de outras espécies mais nobres, que acabariam por ser, na sua maior parte, pasto das chamas, que incendiários e o desleixo de quem administrou os baldios, permitiu que assim acontecesse. Ao que tudo indica, pretende-se agora a revitalização deste setor, com o apoio do pacote da União Europeia, destinado a revigorar as economias dos países que esta Pandemia tanto abalou. 

O que vale por dizer que, havendo abundância de recursos financeiros para todo o país, este documento não esqueceu os territórios de baixa densidade populacional e propõe a sua revitalização, especificamente o setor florestal, nos seguintes termos: “A economia da política florestal em Portugal deve ser baseada numa simbiose entre a floresta de conservação e a floresta de produção, sendo que a prioridade é a conservação, a sustentabilidade e a minimização de riscos de incêndio.” É ainda sublinhada a necessidade de criar uma floresta para o futuro, mais ordenada, bio diversa e resistente, conjugado com um mosaico agrícola agroflorestal e silvo-pastoril.

Permitam-me mais um alerta às autoridades locais, para terem em atenção a elaboração de propor projetos, para acederem a estes fundos comunitários, porque não se pode esperar que seja apenas o Ministério da Agricultura ou o das Florestas, se vier a ser criado, a olhar para um problema que é nosso. 

Este Plano de Recuperação Económico, que não nos esqueceu, tem que ser aproveitado.

Aproveitemo-lo bem.

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