Vitor Pimentel

O dia seguinte

O passado dia 13 de setembro serviu, claramente, para se perceberem duas coisas: que os flavienses estão fartos de tristes espetáculos e que têm um presidente da Câmara que não conhece minimamente a população que o elegeu. 


Cerca de 88% de abstenção mostraram claramente que os flavienses reveem o referendo como um instrumento democrático que não pode estar subordinado a ímpetos eleitoralistas que corroem a seriedade e relevância do ato, dando um sinal claro de rejeição ao oportunismo e necessidade de protagonismo de quem o promoveu.

Os cerca de 12% de votantes mostraram claramente que este é um não assunto. Aliás, o corte do trânsito na ponte, ocorrido em 2008, foi já sufragado pelos flavienses quando, nas eleições autárquicas de 2009, reelegeram, com ampla maioria, o presidente da Câmara que tomou essa decisão.

Confesso que esperava que nas declarações prestadas no final da contagem, o presidente da Câmara fizesse um ato de contrição e assumisse o erro, como aliás tinha garantido dias antes. Engano meu! O “spin” político foi imediato, qual dono da razão, como se todo este espetáculo fosse um modelo de gestão e de democracia.

Felizmente, agora que tudo isto terminou, é tempo de abordar os reais problemas do concelho, incluindo os da Madalena, freguesia que tem o seu núcleo comercial entre o Km 0 da EN2 e a Ponte Romana, e tem um potencial enorme para explorar. 

Deixo aqui algumas sugestões:

  • implementação de serviços públicos na Madalena, como, por exemplo, o atendimento da Divisão de Águas e Resíduos no antigo espaço da Caixa Agrícola da Madalena, propriedade do Município; 
  • dinamização do Jardim Público e da zona envolvente ao marco do Km 0 da EN2, junto ao qual deverá ser colocado um posto de informação turística; 
  • controlo do estacionamento abusivo junto ao pequeno comércio; 
  • reajustamento da mobilidade e das acessibilidades rodoviárias;
  • reformulação do percurso da Feira dos Santos, fazendo-a passar, também, pela Madalena, como aliás foi proposto pela ACISAT, em 2019, e rejeitado pelo sr. Presidente da Câmara.

Quanto à elevação da Ponte Romana a património mundial, promessa eleitoral deste executivo, ficou literalmente esquecida, conforme declara a Comissão Nacional da UNESCO, numa recente resposta a um pedido de esclarecimentos do CDS-PP: 

“(...) cumpre-nos informar que não temos registo de pedido de informação do Município de Chaves, a partir da data que indica, relacionado com o processo de candidatura da Ponte Romana de Chaves a Património Mundial. Mais informamos que não foi apresentada qualquer candidatura para a inscrição da Ponte Romana de Chaves, nem a mesma consta da Lista Indicativa.”. 

O sr. Presidente da Câmara Municipal supera-se na ambição. Em 2017 era a ponte romana, mas em 2020 já é toda a cidade de Chaves. Pena é que não faça nada. Toda a ambição é legítima, salvo a que se ergue sobre as misérias e as ilusões da humanidade.

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