Levi Leandro

A autarquia e o Barro de Bisalhães, Parte I

Em março de 2015, o processo de confeção do barro negro de Bisalhães foi reconhecido como Património Cultural Nacional.


Quis o destino, que fosse a autarquia liderada por Rui Santos, a avançar com a candidatura do “processo de fabrico do barro negro de Bisalhães, à lista do património cultural imaterial”.

Em 29 de novembro de 2016, “o processo…”, foi inscrito na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, mas a Unesco aditou, a necessidade de um “plano urgente de salvaguarda” por considerar a atividade em vias de extinção. Nesse mesmo dia, Rui Santos referiu que, “este reconhecimento internacional possibilitará partilhar o conhecimento ancestral dos Oleiros de Bisalhães com o Mundo". Ora é precisamente nesta afirmação que começa o cerne da questão….

A autarquia propôs um “plano…” com a duração de 4 anos, que termina em dezembro de 2020, tendo Rui Santos afirmado em Adis Abeba: “sabemos que o plano de salvaguarda que idealizámos está tecnicamente perfeito e temos 370.000€ disponíveis para o implementar, até 2020”. 

A aldeia de Bisalhães, já fez muito pelo nosso concelho, mas o que fez a autarquia liderada por Rui Santos, pelos Oleiros, pela Aldeia e pelo “Barro Preto” de Bisalhães, desde 29 de novembro de 2016 até aos dias de hoje?

Quem entra na nossa cidade, não se apercebe que Bisalhães “existe”, nem onde está localizada. Nada fizeram para melhorar os acessos á aldeia do “Barro Preto”, não há praticamente sinalética e a que subsiste é a do “passado”. A aldeia, está como estava há quatro anos atrás, do ponto de vista de investimentos. Porque não um Museu em Bisalhães…?

Passados mais de 45 MESES a autarquia, para justificar o atraso, continua a “pensar no Imaterial”, pois ainda não conseguiu MATERIALIZAR, a colocação da luz nos postos de venda dos oleiros que ficam numa das principais entradas da cidade. Não existe uma torneira para os oleiros utilizarem água. Há só UMA casa de banho, para ambos os sexos, que só está em condições aceitáveis quando, há visitas oficiais. Serão precisos assim tantos EUROS para fazerem isto? A resposta é óbvia, “NÃO”.

Existe um forno, presume-se com cerca de CINCO séculos de existência, completamente abandonado e nestes 45 meses, nada fez a autarquia para o recuperar…, porquê?

Não conseguiram até hoje promover uma ação de formação para oleiros, determinante e essencial para a NÃO extinção da atividade, nem prepararam nenhum processo de certificação, vão conseguir chegar ao fim de 2020 com menos de metade dos oleiros que existiam em 2016. Para quem apresentou um plano “tecnicamente perfeito” que termina daqui a 3 meses, terá pela frente uma tarefa hercúlea….

Situações recentes, mostra-nos (vejam a obra da Avenida e da Campeã) que esta autarquia revela inapetência para proteger o nosso “Património Cultural”, e nada fez para, “partilhar o conhecimento ancestral dos (verdadeiros) Oleiros de Bisalhães com o Mundo”.

Chegou o momento de os Vila-Realenses exigirem à autarquia, o cumprimento do plano de salvaguarda que propôs à UNESCO, para não colocarem em causa a “distinção de Património Imaterial” e todo o duro e agreste trabalho, realizado pelos nossos seculares antepassados.                        

A Parte II segue dentro de momentos, mas no jornal de papel.

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