Barroso da Fonte

Chega de partidos políticos

Recebi hoje (20/9) um email em que aparece Mário Soares a presidir a uma mesa de três, em que afirma veementemente: “com 88 anos nunca vi Salazar mexer nos dinheiros públicos.


Mas hoje veem-se muitas pessoas a procurar comida nos caixotes do lixo. Na véspera e no mesmo dia os media gastam páginas e cadernos com notícias terríveis: “é a primeira vez que três juízes desembargadores são acusados no mesmo processo, por suspeitas de corrupção”. A notícia ainda é mais envolvente, no espaço e no tempo. Mas já passaram 46 anos desde que o tempo novo, deveria ter nova gente, novas regras e principalmente, políticos sérios, pessoas com princípios intocáveis; gente com provas dadas e não com canalha que nunca trabalhou e fica deslumbrada com o cargo, com a viatura e com as vénias dos seus subalternos.

No último fim de semana o Chega, chegou-se à frente e, aparentemente, pelo que lemos e ouvimos, o seu líder foi reeleito com 94%. A direita bem precisa de reforçar-se porque o país com a esquerda que temos, já nem é capaz de resgatar a «Geringonça» para aprovar o próximo orçamento.

Tive uma passagem efémera pela política partidária. concluí que não deveria continuar preso a regras com as quais não me identifico. Por isso, não quero mais amarras. Fui dos primeiros jornalistas a reconhecer que a sorte de António Costa foi a eleição do seu professor para Presidente da República. O primeiro ministro usou e abusou desse guarda-chuva presidencial que abrigou Costa, ininterruptamente, nos quatro anos que leva de mandato. Quem tem a paciência de me ler saberá que não sou homem de extremos. Abrigo-me nos provérbios populares com que minha mãe respondia quando não tinha palavras próprias: “nem oito nem oitenta”, Ela guiava-se pelo simbolismo da sardinha: a única coisa que se come nessa espécie marinha é o meio porque nem a cabeça, nem o rabo dão para comer. Sempre me guiei pelos usos e costumes da minha casa e da minha gente Barrosã. Sempre desafiei e continuo a desafiar algum leitor que me acuse de ser desonesto, mentiroso ou trafulha. Só peço a alguém que tenha essa iniciativa que use, como eu faço, a verdadeira identidade e que viva no país onde a gente se possa encontrar: não para escaramuças, mas para podermos entender-nos, cara a cara.

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