Vitor Pimentel

A Iluminação dos iluminados

Ao ano de 2020 trouxe a todos uma circunstância diferente. Hoje luta-se pela sobrevivência. 


Cada decisão tomada pode salvar ou condenar empregos, empresas e famílias. Também por isso, os autarcas e as autarquias, têm uma responsabilidade acrescida.

O tempo não é de campanhas eleitorais permanentes, em que se promete tudo e mais alguma coisa, nem é tempo para show-off e balanços tendenciosos, sustentados por chavões falsos e despropositados.

Esta semana, tivemos a notícia do fecho de mais um estabelecimento comercial na cidade de Chaves. Lamentavelmente, outros seguirão o exemplo, se não direcionarmos os esforços para a economia local.

O apoio à economia local não se cumpre com 44.280,00€ gastos num Fórum da Educação, realizado em plena pandemia. Mas também não se cumpre com a iluminação de Natal mais cara de sempre. 

O atual executivo decidiu este ano gastar 103.902,10€ (IVA incluído) em iluminação de Natal, mais do que gastam municípios como Faro, Portimão ou Castelo Branco, e mais do dobro de Alcobaça, concelhos com uma população superior à de Chaves, ao nível do concelho de Loures que tem cinco vezes mais população que o nosso. 

Nestas duas “feiras de vaidades” gastaram-se mais de 148.000,00€, que seguiram diretamente para empresas de Famalicão e Coimbra. Seria bem mais produtivo se parte desse valor fosse alocada, por exemplo, em vales de compras no comércio e restauração locais ou na contratação de empresas de animação locais.  

O apoio à economia local também não se faz com a aparente indiferença e passividade com que a autarquia de Chaves reagiu à integração do concelho na lista de 121 concelhos colocados em confinamento parcial, apesar de não cumprir nenhum dos critérios definidos pelo Governo: seja o critério quantitativo, seja o qualitativo. 

O critério quantitativo, em função do número mínimo de 240 novos casos por cada 100.000 habitantes, nos últimos 14 dias. 

O critério qualitativo, em função da proximidade a outro concelho que preencha o critério quantitativo, pois apesar de estar próximo de Vila Pouca de Aguiar, esse critério facilmente se nota que não foi aplicado de forma equilibrada, dada a dualidade de interpretações que pode ser feita.

Resumindo, o silêncio mantém-se, a economia local ressente-se, e a tal cidade que, supostamente, atrai cada vez mais jovens, apenas existe nas mentes brilhantes de alguns Illuminati.

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