Já está a funcionar a nova iluminação de 30 passadeiras da cidade de Vila Real, um projeto-piloto desenvolvido pela Douro Alliance e que, depois de um investimento 171 mil euros, tem como objetivos analisar várias tecnologias que possam ajudar no aumento da segurança para os peões e na diminuição da fatura energética do município no que concerne à iluminação pública.
Segundo Ricardo Martins, secretário executivo da Douro Alliance, inicialmente o projeto previa a intervenção em 28 passadeiras, num total de 66 novos postes, no entanto, com os trabalhos no terreno foi necessário suprimir algumas e apostar em outras, sendo o balanço final a iluminação de 30 travessias de peões.
O mesmo responsável referiu ainda que a nova iluminação conta com a tecnologia LED (Light Emitting Diode – que “garante uma melhor qualidade de iluminação, menor consumo energético e maior longevidade quando comparada com as tecnologias convencionais baseadas em vapor de sódio e vapor de mercúrio”), e em três locais os postes estão ligados não à rede pública de eletricidade mas sim a um sistema fotovoltaico, ou seja, funcionam de forma autónoma através da energia solar.
A única passadeira prevista no projeto que ainda não tem a iluminação em funcionamento é uma localizada na zona da Araucária, isso porque, como explicou Ricardo Martins, o seu posicionamento foi repensado e os responsáveis estão à espera que o local seja remarcado pela empresa Estradas de Portugal.
O projeto, desenvolvido pela Associação Douro Alliance (que une os concelhos de Vila Real, Peso da Régua e Lamego), foi criado com base num estudo contratado à Universidade de Trás–os-Montes e Alto Douro (UTAD) sobre a “Caracterização da Iluminação Pública do Eixo Urbano do Douro – Soluções Eficientes de Iluminação”. As conclusões colocaram “em equação os elevados consumos energéticos dos municípios em iluminação pública, em termos financeiros e ambientais, e a evidente necessidade de aumentar a segurança pedonal e rodoviária, nomeadamente nas passagens de peões”.
“Mais de 60 por cento dos acidentes rodoviários envolvendo peões dão-se em meio urbano e a maior parte nas passadeiras”, recordou Adriano Sousa, vereador da Câmara Municipal de Vila Real, sublinhando que o primeiro objetivo é exatamente garantir uma maior segurança através do “aumento da visibilidade” das pessoas que circulam nas passadeiras.
O vereador referiu ainda que, paralelamente, o projeto pretende “melhorar a eficiência energética”, ao substituir “o sistema tradicional destes equipamentos, que tem sido à base de lâmpadas incandescentes, por uma nova tecnologia”, mais barata e ecologicamente mais eficiente.
Adriano Sousa recordou que a ideia de avançar com a nova iluminação surgiu ainda no anterior mandato da Câmara Municipal, altura em que o próprio, enquanto técnico da autarquia, concebeu o projeto “EcoMobiReal”, que, “por várias vicissitudes, o anterior executivo deixou cair”. “Em boa hora a Douro Alliance recuperou este projeto e foi possível a sua implementação”, considerou o mesmo responsável político.
A escolha das passadeiras teve a ver com vários critérios, nomeadamente o seu nível de utilização pelos peões e a sua localização, ou seja, “o facto de serem passadeiras instaladas em vias fundamentais, com maior tráfego e mais rápido, ou então em zonas de menor visibilidade”.
“Vamos dar início, muito brevemente, a um procedimento para a iluminação das interceções da Ecopista do Corgo com os arruamentos urbanos”, explicou ainda Ricardo Martins.
Sobre o alargamento do projeto para outras passadeiras do concelho, Adriano Sousa adiantou que “é uma hipótese” que só poderá ser considerada depois de se concluir “que é um projeto em que a relação custo benefício é positiva”.
Com base no estudo da UTAD, a Douro Alliance avançou com outros dois projetos, para as cidades do Peso da Régua e Lamego, que visam “a iluminação de vias e iluminação cénica”.
No que diz respeito a Lamego, a Associação já avançou “com a aquisição e instalação de luminárias nas Avenidas Dr. Alfredo Sousa e Visconde Guedes Teixeira, e de iluminação cénica no escadório do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios”, também com recurso à tecnologia Led e com um orçamento de mais de 257 mil euros.
Relativamente ao projeto previsto para a cidade do Peso da Régua, Ricardo Martins referiu que este ainda será lançado, estando orçamentado, como investimento total nos três concelhos, cerca de 750 mil euros, valor que conta com uma comparticipação de 85 por cento pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).




