Quinta-feira, 29 de Julho de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

Novo Banco, Velhos Costumes

O Novo Banco é um ativo político tóxico que expõe e compromete quem lhe passa pela frente. Perante atos de criminalidade financeira gravíssimos e uma supervisão submissa e negligente, o Governo PSD/CDS foi obrigado a intervir no maior grupo bancário privado português, por forma a garantir a credibilidade do sistema bancário nacional. Depois de limpar […]

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O Novo Banco é um ativo político tóxico que expõe e compromete quem lhe passa pela frente.

Perante atos de criminalidade financeira gravíssimos e uma supervisão submissa e negligente, o Governo PSD/CDS foi obrigado a intervir no maior grupo bancário privado português, por forma a garantir a credibilidade do sistema bancário nacional.

Depois de limpar a casa, retirando tudo o que eram ativos financeiros tóxicos, expurgou-os para o afamado “banco mau” e lançou uma nova entidade bancária.

No entanto, como nacionalizar definitivamente nunca foi considerada uma solução viável, dada a exiguidade do mercado bancário nacional, o objetivo principal foi sempre vender.

Em outubro de 2017 a dupla Costa e Centeno, juntamente com o Banco de Portugal, e após um processo conturbado, vende o novo banco ao fundo de investimento americano Lone Star, num acordo ruinoso que implica a injeções de capital do Estado possam ir até 3,9 mil milhões de euros. Ou seja, não vendemos o Novo Banco, tivemos de pagar, e bem, para que nos ficassem com ele!

No orçamento de estado que Catarina Martins, o seu BE e toda a esquerda, com a sua abstenção ajudaram a aprovar, estava prevista mais uma injeção de capital de 850 milhões de euros. Mas o senhor Primeiro Ministro, indiferente a isto, fez um compromisso político perante o Bloco de Esquerda de efetuar uma auditoria ao banco. António Costa, que como vem sendo hábito, só sabia que nada sabia, decidiu colocar em causa a decisão do Ministro das Finanças, Mário Centeno em cumprir exatamente aquilo que PS e o resto da esquerda aprovaram!

Para ajudar ao ramalhete, o Presidente da República, em mais um caso de incontinência verbal, decidiu reforçar a crise política no seio do governo, ignorando que se alguém não respeitou o acordado foi o Primeiro Ministro e não o Ministro das Finanças.

Chegado ao ponto “ótimo” da Teoria dos Jogos, a única solução de Mário Centeno foi pedir demissão. Perante o imbróglio criado, António Costa decidiu lançar Marcelo Rebelo de Sousa como candidato do PS às Eleições Presidenciais de 2021 (como manobra de diversão) e impedir a todo o custo a demissão de Centeno.

Tudo isto num espetáculo deprimente que não beneficia os portugueses, não credibiliza as instituições e que demonstra a fome de poder que une Costa a Marcelo.

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