A construção do novo quartel da Associação Humanitária da Cruz Branca decorre a bom ritmo. O edifício ficará na zona das Flores, num excelente ponto estratégico quanto à sua operacionalidade, ou seja, ao lado da EN 2, do IP4 e da A24, além de evitar o trânsito citadino tal como hoje acontece com as atuais instalações.
O Nosso Jornal fez o ponto de situação desta obra, contando com a colaboração, nesta espécie de visita guiada, do presidente da Direção, António Graça, e do comandante da corporação, Álvaro Ribeiro. Foi precisamente este último que nos pormenorizou os espaços do edifício constituído por um rés-do-chão e um piso, onde a entrada de luz natural é uma constante nos seus vários compartimentos. “Este não é um quartel com aquela tipologia tradicional (muitos espaços eram dotados com salão de festas e de convívio). Além de obedecer à regulamentação vigente, o quartel assenta a sua matriz numa conceção virada para a operacionalidade. Ao nível do piso inferior, contempla um amplo parque para viaturas, balneários masculinos, dormitórios, receção e atendimento, uma área social, central de comunicações, sala de planeamento, arrecadação para material. Temos também uma área ampla em frente ao quartel denominada como a zona da parada, onde irão ser criadas uma série de infraestruturas para treino dos nossos bombeiros. Tudo isto, sem obrigar a que tenhamos de sair das instalações. Aliás, este era um dos nossos grandes problemas, estarmos no centro da cidade sem espaço e sermos obrigados a fazer exercícios fora do quartel”.
No 1.º andar fica instalada a parte administrativa e os órgãos sociais. Aqui, há salas para direção e formação, gabinetes de comando e de apoio, dormitórios e balneários para 10 elementos femininos. A eficiência energética do edifício é bem vincada nos revestimentos e na iluminação natural com grandes janelas e espaços, sistemas de aquecimento, refrigeração e climatização adequados e sempre numa lógica de racionalização no consumo de energia.
Neste momento, cerca de 75 por cento da obra está pronta e a data de 17 de maio poderá ser plenamente conseguida.
Há um outro pormenor importante que tem a ver com o parque de viaturas, que foi pensado para que “não houvesse viaturas em segundo plano”, ou seja, “podem sair sem ter de tirar outro carro que eventualmente estivesse à sua frente e permite a saída rápida de qualquer veículo. Isto agiliza o socorro, dado o pouco tempo que se gasta”. As instalações estão dotadas de um parque de viaturas vermelhas (veículos de combate a incêndios e desencarceramento, entre outros) e uma outra para “brancas” (ambulâncias e outros veículos de socorro).
Recursos humanos e materiais
Quanto aos meios disponíveis, bombeiros e viaturas, Álvaro Ribeiro afirmou que neste momento a corporação tem 124 elementos e a metodologia passa por rentabilizar estes meios humanos. “O pessoal disponibiliza-se para fazer piquetes de dia ou de noite, e damos este apoio à população. Em termos de viaturas, estamos num processo de renovação em que nós, sozinhos, não podemos assumir, já que envolve muitos custos. Nós temos 21 veículos muito bem conservados. Alguns são antigos e por vezes temos dificuldades em arranjar peças”, frisou o comandante.
O presidente da Direção, António Graça, está também satisfeito com estas novas instalações e afirma que é um “velho sonho concretizado”, numa obra que é de todos. “Estamos de falar de um investimento que rondará um milhão e 250 mil euros, parte com fundos comunitários, com uma gestão muito apertada e cuidada. O dirigente fez questão de agradecer o apoio da autarquia”. É justo realçar a colaboração da Câmara Municipal de Vila Real que desde a primeira hora se associou de forma empenhada e que foi traduzida com apoios financeiros muito consideráveis. Noto mesmo que esta obra tem muito a ver com o apoio camarário”.
Quanto à sede atual, António Graça deixou no ar a ideia do seu aproveitamento e rentabilização, não estando afastada a hipótese de funcionar como área museológica.
Torre de muita alta tensão servirá para manobras
Provavelmente no país, deverá ser a primeira vez que uma corporação de bombeiros irá utilizar uma torre de muita alta tensão, com cerca de 17 metros de altura, para treinos operacionais. Esta está já implantada na zona da parada e é bem visível a muitos metros de distância. “A nossa futura torre de manobras será fundamental para que os nossos bombeiros possam desenvolver técnicas de socorro, de salvamento e de evacuação”, referiu Álvaro Ribeiro.
Ao que apuramos, a torre resultou de uma oferta e agora está a ser preparada para as novas funcionalidades. “Possibilitará vários exercícios distintos e uma formação avançada destinada ao grupo de salvamento e grande ângulo, especialmente virados para o salvamento em grande altura e aplicação em resgates em montanhas, em escarpas e em outros locais de grande risco. Nesta torre, podemos simular um conjunto de exercícios para teatros especiais, onde os nossos homens podem elevar ainda mais os seus índices de operacionalidade, com evidentes melhorias na eficácia em ações do salvamento e socorro”.
Esta escolha no aproveitamento desta estrutura metálica vem no seguimento de apostas semelhantes em outros países europeus, nomeadamente em Inglaterra. “Há países que as torres de manobras são feitas do mesmo material, em Portugal não conheço nenhuma e, em breve, a nossa estará devidamente preparada, e será uma realidade”, concluiu Álvaro Ribeiro.








