Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O 25 de Abril e o posicionamento da EPI

No dia em que escrevo este texto, sábado, dia 21, avizinha-se mais um aniversário do 25 de Abril, em que as principais forças partidárias, movimentos sociais, agremiações recreativas e outras instituições públicas e privadas vão, naturalmente, assinalar essa data com várias manifestações de índole cultural e outros eventos, como vem sendo habitual.

Porém, verifica-se que a cada ano que passa o fulgor revolucionário, que caraterizou as comemorações dos primeiros anos, tem vindo a diminuir de brilho e intensidade, a meu ver, por duas razões fundamentais.

A primeira porque as novas gerações estando pouco sensibilizadas para a política, viradas para coisas mais mundanas e lúdicas, como, por exemplo, festivais de música, concertos, discotecas, etc., se alheiam desse acontecimento, sem qualquer espírito crítico. Sendo sintomático desse comportamento geracional, as respostas descabidas, reveladoras de uma ignorância atroz, quando, em inquéritos de opinião, por exemplo, é perguntado aos jovens quem foram personalidades como Otelo Saraiva de Carvalho ou Vasco Gonçalves, respondem, frequentemente, como se fossem figuras gradas do Estado Novo. Por outro lado, a circunstância de muitos dos protagonistas, desse acontecimento histórico, terem desaparecido do mundo dos vivos contribuiu também para marcar esta evidente realidade.

Há, no entanto, um pormenor que gostaria de registar, tendo em conta o título desta crónica, e que se prende com um episódio por mim vivido, quando há uns tempos visitei a Escola das Armas, sedeada em Mafra, herdeira da secular Escola Prática de Infantaria (EPI) e me fez refletir quanto ao significado da mensagem inserida numa das várias lápides existentes no átrio contíguo à Casa da Guarda.

Diz o seguinte: “HOMENAGEM DA EPI AOS SEUS MILITARES QUE EM ABRIL DE 74 SE EMPENHARAM DECISIVAMENTE NA RESTAURAÇÃO DA DEMOCRACIA E DA LIBERDADE EM PORTUGAL E QUE SEMPRE MANTIVERAM FIDELIDADE À IDEIA TIDA E À PALAVRA DADA”. 

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A referida lápide foi ali colocada em 25 de abril de 1994, por ocasião do vigésimo aniversário daquela efeméride.

Tendo os militares da EPI, contribuído decisivamente para o derrube da ditadura, entenderam, e bem, depois de consumado esse objetivo, “regressar” ao quartel, continuando a desempenhar a sua atividade militar, sem se imiscuírem em manobras político-partidárias, ao contrário de muitos outros, que fascinados pelos novos desafios proporcionados pela dinâmica da vida política emergente, não resistiram em tornar-se protagonistas políticos, enveredando por caminhos nada condizentes com o programa do MFA.

Esta mensagem dos militares da EPI tem, pois, o significado, de ficar para a posteridade como testemunho da sua integridade moral e cívica ao cumprirem escrupulosamente os ideais que nortearam a sua adesão a um movimento militar para derrube de um regime caduco e instauração da democracia. 

Mas constitui, ao mesmo tempo, um remoque e uma crítica velada a todos os seus camaradas que se desviaram dos princípios consignados no programa do MFA, e que muito contribuíram para todo o tipo de desmandos e a bagunça instalada a que assistimos nos tempos conturbados de 1975. Período conhecido pelo tristemente célebre Processo Revolucionário em Curso (PREC).

Bem hajam os militares da EPI!

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