O boneco de barro

É assim que começa a história que agora vos conto... Era uma vez um homem que, naquele momento de desespero, achava que Deus só dava a mão aos que apodreciam de pecado. Que Deus só estava ao lado dos filhos pródigos e abandonava quem O servia toda a vida.

António, nome como o de muita gente, achou que, nos seus noventa anos, aquele Deus que venerara por décadas numa peregrinação vivencial ao redor dos espartilhos com que recalcou os seus sonhos, o tinha abandonado.

Estava só.

Viúvo.

A sua Maria adormecera para sempre na cama onde ondulara em calor de meiguices.

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Perdido numa casa onde os filhos e filhas, noras, genros e netos, trataram de fugir logo que as cerimónias fúnebres terminaram, por consciência pesada que queriam leve, esses mesmos herdeiros deixaram ficar no cotão dos bolsos do velho pai, umas notas avulsas. E partiram, com um beijo e com uma saudação à defunta Maria, agora sete palmos abaixo da terra onde fora feliz.

Foram-se todos

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