Sábado, 19 de Junho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Botão de Pânico

Desconhecíamos que existia em algumas instalações públicas um Botão de Pânico, para o qual o insólito episódio no aeroporto de Lisboa nos veio alertar. Do que ali se passou naquele fatídico dia 12 de março passado, já abundantemente se falou.

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Parece quase surrealista que viesse a ter aquele desenlace. A morte, por espancamento, de um homem cujo crime, foi o de pretender entrar no nosso país, supostamente para trabalhar. A Justiça acabará por encerrar este caso, com as penalizações aos seus autores, naturalmente. 

Ocorre pensar, que nesta situação anormal em que o país e o mundo vivem, motivada pela situação pandémica, muitas outras situações de pânico existam, para a quais não haverá botão que lhes valha. 

Os milhares de profissionais que perderam os seus empregos em virtude da falência ou encerramento das empresas, que lhes garantia o sustento do agrupado familiar, devem entrar em pânico, ao perceberem que não têm nada para comer. Lembramos em particular as crianças. Não há botão de pânico que lhes valha. Um desespero…

Ocorre-nos o pânico que devem sentir, muitos profissionais de saúde, em particular os responsáveis de hospitais e outras unidades de acolhimento temporário de doentes, ao perceberem que, de um dia para o outro, podem não ter capacidade para atender todos os doentes que ali se apresentam, como já sucedeu no Centro Hospital do Tâmega e Sousa. 

Pânico mais generalizado ainda, perante o sentimento que vamos tendo, de que o vírus que por aí anda, e que só a vacina poderá suster, irá causar mais malefícios – alguns mortais. Angustia saber que é escassa a produção que a indústria farmacêutica tem conseguido por no mercado, de tal forma que, a este ritmo, nem no próximo ano ela chegará a todos as partes do mundo. 

O pânico, entre os mais vulneráveis, irá por certo acentuar-se, mal se percebendo que, por parte das autoridades de saúde, designadamente a nível do nosso governo, pareça existir alguma relutância em generalizar a sua aplicação, recorrendo a todos os meios ao nosso dispôr, públicos, privados e sector social, por forma a que se a indústria farmacêutica tiver a sorte de multiplicar mais rapidamente a vacina, esta possa chegar aos destinatários o mais rapidamente possível.

Alguns exemplos, só no domínio da saúde, porque muitos outros haveria a justificar o botão de pânico.

Finalmente, porque é Natal, esqueçamos o pânico por uns dias. Desejamos a todos que esta quadra seja vivida em família, com tranquilidade e paz. 2021 vai entrar e fará esquecer o que se viveu no ano que finda. Assim o desejamos.

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