Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Caminho Faz-se Caminhando

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A partir de agora, as mulheres também poderão receber estes ministérios, considerados ministérios laicais, não exclusivamente ligados ao Sacramento da Ordem. É o culminar de várias insistências e recomendações que já vêm de Paulo VI. 

Como já muitos e muitas notaram, é a formalização do que já acontece na prática. Em muitas comunidades, as mulheres são as grandes participantes e dinamizadoras da vida comunitária e pastoral. Sem elas, muitas comunidades teriam enormes dificuldades em sobreviver enquanto comunidades cristãs. Parece-me é que a Igreja vai modificando os seus cânones mais por necessidade do que por convicção e retidão. 

Este passo foi bom e é positivo, mas é preciso continuar a dar mais passos, caminhando-se para uma sólida e justa igualdade entre homem e mulher na Igreja, ambos possuidores da mesma dignidade e do mesmo valor. Não deixa de dar a impressão de arcaísmo intelectual ainda se andar a discutir na Igreja o que é que pertence aos homens e às mulheres, ou melhor, o que é que pertence fazer às mulheres, porque em relação aos homens o assunto está arrumado há muito tempo. Já é tempo de a Igreja abandonar preconceitos e complexos em relação à mulher e despir-se de mentalidades retrógradas, claramente assentes em construções históricas que acriticamente assimilou, que colocaram o homem/macho no centro do mundo. Até a Bíblia no seu primeiro livro lembra que não era bom que o homem estivesse só, que a mulher estivesse só não havia problema. 

Foi pena que a um determinado momento da história da Igreja a revolução e a evolução de Jesus tivessem sido interrompidas. Ao contrário dos mestres do seu tempo, Jesus teve discípulas, teve várias amigas do coração que visitava assiduamente, e algumas das mais belas páginas dos evangelhos são encontros com mulheres. E a primeira a dar a notícia da ressurreição foi uma mulher. Se houve alguém que o desiludiu e traiu foram os homens. S. Paulo nas suas cartas saúda muitas mulheres das suas comunidades e deixou bem escrito na sua Carta aos Gálatas: CNão há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um só em Cristo Jesus”. Será que Deus tem uma predileção pelo género masculino? Não me parece. 

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