Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

O efémero Ministério da Coesão Territorial

No dia 10 de julho, surgiram na comunicação social nacional alguns trechos do afamado relatório para o relançamento económico do país, no mundo pós-Covid 19.

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Elaborado por António Costa Silva, um gestor em regime pro-bono sem currículo neste tipo de trabalhos, ao invés de se envolver a academia e entidades privadas especializadas, o documento fala de “tudo e um par de botas”, mas na sua essência não fala de nada.

Se a alta velocidade ferroviária entre Lisboa e Porto com ligação a Espanha, o cluster do hidrogénio em Sines, a expansão e reforço das redes de metro de Lisboa e do Porto, o aeroporto para Lisboa e a competitividade dos portos nacionais são as velhas (novas) obras do país. A sustentabilidade da banca, a recapitalização das empresas, a reconversão industrial do país, o Serviço Nacional de Saúde, o turismo, a transição energética e a área social são as velhas (novas) ideias-chave do costume. 

No meio de um relatório incoerente e mal fundamentado, impregnado em socratismo, pejado de uma miríade de propostas, anteriormente apresentadas e agora requentadas, permanece a grande e crónica omissão do regime, a coesão territorial de Portugal. 

Num momento de crise exógena extrema, o Estado português não consegue aproveitar a circunstância para investir na totalidade do seu território, desenvolvendo as suas regiões mais desfavorecidas, mudando o paradigma e o status quo e reduzindo as assimetrias.

Num tempo em que os diferentes atores políticos reclamam o aparecimento de novas soluções para a desertificação do interior e em que foi criado um ministério dedicado a esta problemática, é insólito insistir-se num modelo à base dos dogmas e erros do passado.

Para quem vive em Trás-os-Montes, na Beira Alta e na Beira Baixa ou no Alentejo, constitui uma vergonha verificar que o país e as suas instituições renegam as suas obrigações e responsabilidades, promovendo o investimento público onde é menos necessário e mais dispensável. 

No fim, surge a questão. Se nem para encher páginas num documento vago e banal do Estado serve, então para que serve o Ministério da Coesão Territorial? 

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