Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O exemplo da igreja

As notícias sobre a evolução do estado da pandemia no nosso país, são encorajadoras, de tal forma que no Conselho de Ministros da passada sexta-feira (29 de maio) foi decidido aliviar as medidas de contenção, tendo em vista que a economia possa começar a recuperar dos graves danos sofridos. Porém, os dados da pandemia em […]

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As notícias sobre a evolução do estado da pandemia no nosso país, são encorajadoras, de tal forma que no Conselho de Ministros da passada sexta-feira (29 de maio) foi decidido aliviar as medidas de contenção, tendo em vista que a economia possa começar a recuperar dos graves danos sofridos.

Porém, os dados da pandemia em Lisboa e Vale do Tejo, justificam preocupação, conforme palavras do próprio Chefe do Governo, pelo que o desconfinamento no país vai seguir a duas velocidades. Assim em Lisboa não haverá autorização para abrir centros comerciais ou lojas do cidadão até ao dia 4 de junho, o que contraria António Costa que ao Expresso, afirmou que o Governo não gostaria de fazer diferenciações regionais: Porém, acabou por fazê-las, em virtude do panorama sanitário verificado na capital e arredores. 

Recordamos o que há menos de dois meses foi dito sobre o que estava a acontecer no Norte, onde o vírus teria atacado com maior intensidade, o que não foi muito bem visto por quem vive na Capital. Percebe-se agora, que as idiossincrasias regionais, em razão do tecido industrial, no caso do Norte, ou da diversidade das nacionalidades e residentes, no caso da Capital, propiciem o desenvolvimento do Coronavírus, que não pede licença para se instalar. 

Bem andou a Igreja Católica, cujas autoridades desde cedo se aperceberam da gravidade da situação e tomaram medidas radicais, que não deixaram dúvidas ao público em geral, e aos cristãos em particular: as imagens televisivas da oração do Papa, na Basílica de S. Pedro, no Vaticano completamente despido de pessoas, ficarão para memória. A decisão do Cardeal António Marto – nosso conterrâneo, responsável pelo Santuário de Fátima e a sua coragem em se apresentar urbi et orbi impedindo as celebrações do dia 13 de maio, que desde 1917 tinham lugar no local das aparições, desencorajando as dezenas de peregrinações já anunciadas, e proibindo até a sua entrada no recinto. Finalmente, a forma prudente como se estão a iniciar as celebrações dominicais em todos os templos, a partir desde último sábado de maio, com o rigor, que nós próprios pudemos acompanhar na Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, da freguesia de Mouçós. 

E, sem surpresa, percebemos que aqueles a quem foi permitido antecipadamente participar no culto dominical, o fizeram com uma correção e aceitação das regras (sugeridas) – sem necessidade de nenhuma autoridade impor fosse o que fosse. 

Sigam as centenas de milhares de habitantes dos bairros periféricos da Grande Lisboa os conselhos das autoridades públicas, e a pandemia, será dominada. Não é uma questão de fé. É apenas questão de comportamento cívico.

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