O Inferno (2)

O que pode ser o inferno, ou seja, o que experimentaremos no inferno? Entramos num capítulo que serviu, durante muito tempo, à imaginação de miríades de fantasistas e de doutos especuladores. Honestamente, quanta asneirinha se ouviu e disse! 

A visão tradicional do inferno diz-nos que é um lugar, criado por Deus, onde existe um fogo eterno abrasador e devorador, para que aqueles que morrem em pecado mortal sejam torturados.

Como foi possível ensinar assim um inferno e ainda por cima ensinar que foi criado por Deus? Então se nós combatemos e condenamos os campos de concentração que criamos uns para os outros, como podemos aceitar que Deus crie um enorme campo de concentração eterno para apaziguar a sua ira e massacrar aqueles que criou por amor?

Que Deus é este, afinal, em que nós acreditamos? Este inferno não existe, não tem nada a ver com a revelação de Deus em Jesus Cristo, que é amor e misericórdia. 
Mas então Jesus não falou da Geena? Temos que saber contextualizar as palavras de Jesus.

A exegese moderna é consensual em afirmar que Jesus falou na geena (em latim, inferno). Esta era um vale a sudoeste de Jerusalém, que servia de vazadouro do lixo da cidade. A Geena era a lixeira de Jerusalém, que estava em fogo permanente. Nas batalhas contra os inimigos, iam também para lá os cadáveres dos inimigos, alguns não completamente mortos (daí o choro e ranger de dentes), outros em podridão com vermes. Para lá também iam animais mortos e meio mortos, de forma que se ouviam gemidos e uma pestilência insuportável dominava o espaço.

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Quem a observasse, não poderia deixar de ver um cenário macabro e tenebroso. Os pregadores vigorosos do tempo de Jesus, para despertarem as consciências das pessoas, indicavam-na como o destino de todos aqueles que fossem infiéis a Deus e que pactuassem com o mal na sua vida. Jesus Cristo, imbuído da cultura judaica, usou-a também algumas vezes nos seus discursos, não para nos fornecer informações sobre o além, mas para nos chamar a atenção de que não podemos ficar indiferentes à oferta da salvação que Deus nos faz e à convocação para o Reino de Deus.

O mau uso da nossa liberdade, com a recusa de Deus e do seu amor, poderá levar-nos para um destino nefasto, a eterna separação de Deus e dos outros por causa de uma vida fracassada. 
 

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