A experiência temporal de um século já deu para demonstrar que este meio de comunicação, tanto é besta como bestial. Durante o Estado Novo o país confrontou-se com a censura. Desde o advento da democracia uma diferente censura se ramificou: a liberdade estado-novista a menos redundou numa libertinagem, cujos excessos deram para tudo. Os tribunais atulharam-se de processos, desde o «colarinho branco, aos crimes de sangue, desde a Face Oculta» ao «Freeport», desde a Operação Marquês à mais recente Operação Lex» .
Não fosse o jornalismo de investigação e a coragem de quem averiguou e exibiu essas reportagens, mais a lufada de ar fresco que os tribunais assumiram com irrepreensível conduta e o país teria mergulhado num beco sem saída.
Essa exemplar conduta por parte dos órgãos de informação e dos magistrados que devolveram à opinião publica a certeza de que estão atentos ao clima de anestesia que vinha pervertendo a sociedade portuguesa, transmitiram aos concidadãos a certeza de que os titulares da justiça estão firmes e decididos a aplicar a justiça que deve ser igual para todos. Sem justiça não há democracia. E sem autoridade não há paz que resista numa sociedade cada vez mais propensa para o experimentalismo.
Cada classe deve primar pela exigência. Só poderá exigir dos outros quem der exemplos de cidadania plena. A sociedade está escalonada, regulamentada e esclarecida. Ainda que mais não seja pelos direitos e deveres que a tradição impõe e que a lei natural inscreve na consciência cívica de cada novo membro.
O jornalismo não é uma atividade selvagem e, muito menos, um capricho daqueles que o exercem.
Aquilo que os órgãos de comunicação emitem, seja pela escrita, pela voz, ou pela vista não pode agradar a todos, em todas as ocasiões e lugares. Se agradasse a todos, agora, logo e depois, seria sintoma de que vivíamos num paraíso terrestre. E todos sabemos, pelo dia a dia, que aquilo que para um é bom, para outros pode ser mau ou assim-assim. Não haveria lugar para tantos partidos políticos, nem valia a pena valorizar as cores do arco-íris, ou ter na mesma cidade mais do que um clube de futebol.
O jornalista não escreve para a agradar, mas para denunciar o que está bem e o que está mal. Deve elogiar quem merece elogios, do mesmo modo que deve repreender quem, mesmo sendo eleito, usa e abusa da confiança que a eleição lhe deu para fazer justiça pelas suas próprias mãos.
Deve separar o trigo do joio respeitando quem está credenciado para formar e informar, como exige para si o direito de gerir, em nome de quem o elegeu.
Todos nós conhecemos políticos, locais, regionais e nacionais que se arrogam ao direito do mandar em tudo e em todos, como se nos seus domínios não houvesse mais ninguém com direitos e deveres.



