Faço, evidentemente, as minhas escolhas políticas e procuro estar bem informado quer acerca da política nacional, quer da política internacional e da história dos movimentos políticos do século XX. Li recentemente dois livros sobre a União Soviética, “Sussurros. A vida privada na Rússia de Estaline” e “A Filha de Estaline”. Trata-se de dois testemunhos que vêm confirmar o que já sabemos, que o que se passou na União Soviética foi uma terrível ditadura que levou à prisão, à deportação e à morte de milhões de pessoas. O que se passou não pode ser só justificado pela paranoia de Estaline porque após a sua morte, a repressão, a ausência de democracia e de liberdade e a feroz policia política (KGB) continuaram, até surgir Gorbachov com a sua “glasnost”. O “socialismo” ou “comunismo” ou o que lhe queiram chamar, dos bolcheviques e dos sovietes, assim como o nazismo hitleriano, foram ditaduras implacáveis, incompatíveis com a democracia e as liberdades, devido à própria natureza dos sistemas, de partido único, totalitários, policiais e fortemente repressivos!
Infelizmente, a democracia também comporta muita coisa errada como são as mentiras, as traições, a hipocrisia, o carreirismo, os vira casacas, as vigarices e a corrupção, tudo o que é detestável na política e que leva muitos a afastarem-se. Esse não é o meu mundo, não se compatibiliza com a minha maneira de estar e nem com o meu modo de vida. Tudo isto vem a propósito do Eng. António Guterres e do seu unânime triunfo nesta eleição para Secretário-Geral da ONU. Como é fácil de perceber pelo seu percurso de vida, também António Guterres é a exceção à regra na política pela positiva, quer em termos de ética, quer no comportamento. Da eleição do Eng. Guterres podemos tirar várias lições. Em primeiro lugar há uma unanimidade pouco comum acerca dos méritos e das qualidades de António Guterres. Daqui extraio a primeira lição: Guterres, para além da sua inteligência, da sua cultura, da sua experiência política, da sua diplomacia, da sua capacidade de comunicação e de persuasão, é um político que tem demonstrado nada ter a ver com o mundo sujo da política. Reporto-me a 2001, quando sendo primeiro-ministro de Portugal na sequência da derrota do PS nas eleições autárquicas se demitiu porque entendeu que a derrota tinha sido sua! Repare-se que as eleições autárquicas não são para o governo, não são eleições legislativas, mas apesar disso Guterres contra os barões e o clientelismo do seu partido (PS) demitiu-se porque entendeu e bem que não tinha condições para continuar a governar. Desta forma António Guterres deu uma lição, demonstrou a sua seriedade e a forma peculiar de estar na política, não recorrendo a manobras e a golpes para se agarrar ao poder, como se vê frequentemente! A segunda lição que me ocorre, é que não há vencedores nem derrotados antecipados. Quem acredita nas suas capacidades e no seu trabalho, luta para ganhar mesmo que esse combate à partida pareça perdido. Essa é uma característica dos grandes, dos eleitos, dos líderes. António Guterres partiu com 20% de hipóteses mas a sua campanha feita com inteligência, determinação e com o estudo aprofundado dos problemas e dos dossiês, venceu tudo e todos, mesmo aqueles que tentaram pôr-lhe algumas pedras no caminho. Que mal se portaram a Alemanha de Merkel, a Bulgária e a União Europeia! Que lhes sirva de lição, principalmente, para perceberem que, infelizmente, a Europa não têm voz nas grandes questões mundiais o que é estranho em relação a um conjunto de países fundadores da nossa civilização e cuja importância é conhecida. Outra lição a ser retirada desta eleição tem a ver com o nosso país e o seu peso na cena internacional. Os países como os homens não se medem aos palmos. Depois da epopeia dos descobrimentos, aí está Portugal a marcar uma forte presença nos organismos internacionais. Depois da presidência da Comissão Europeia, este feito de António Guterres coloca-nos no topo do mundo, o que quer dizer que temos gente, em todas as áreas, capaz de dar cartas e de ombrear com os melhores do mundo. Boa sorte Eng. António Guterres.
O melhor entre os melhores
Não sou político no sentido militante do termo, mas exerço os meus direitos cívicos e de cidadania quando para tal sou chamado e não deixo de estar atento à ação governativa, à intervenção partidária e à participação da sociedade civil nas questões do país que a todos dizem respeito.



