Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

O novo PREC?

Por decisão do Governo, o Estado irá deter mais de 70% do capital de duas empresas privadas ou semi-privadas, que operam em mercados internacionais competitivos. Resta saber com o dinheiro de quem? 

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Dos cofres públicos não será, porque estão vazios, e da UE também não. A alternativa será, portanto, mais endividamento público, o que corresponderá a mais impostos. 

Ambas as situações – TAP e Efacec – têm origem em tomadas de decisões – expressas ou tácitas – da governação socialista que está no poder deste 2015.

TAP: Ao satisfazer um pedido dos seus parceiros de extrema-esquerda, o PS encurralou o Estado português através da recompra de capital, em 2017. 

O Tribunal de Contas afirmou no seu relatório de auditoria, em 2018, que a recompra “não conduziu ao resultado mais eficiente (…) tendo as sucessivas alterações contratuais agravado as responsabilidades do Estado e aumentado a sua exposição às contingências adversas da empresa”.

Efacec: A aprovação implícita do governo perante a compra de uma posição dominante por parte de Isabel dos Santos, teve consequências gravosas com as denúncias nos Luanda Papers. 

Com uma explicação rebuscada, de difícil compreensão, e quase em segredo, o Governo apropria-se agora de 71% da empresa, no pressuposto de que vai vender com toda a celeridade, numa operação que tresanda ingenuidade.

Se numa situação de crise económica, de causas exógenas, é compreensível, mas não desejável, a entrada do Estado no capital de empresas privadas estratégicas para preservação de postos de trabalho e dos centros de decisão nacionais, também é imperioso que o Estado tenha um verdadeiro plano de saída no curto/médio prazo.

Caso contrário, deixamos de ter empresas competitivas e de excelência, para passarmos a ter novos sorvedouros de recursos públicos, ineficientes e propensos a más práticas e à corrupção.

No imediato, e depois da asneira, o maior desafio do Governo, depois da nacionalização da Efacec e da tomada de controlo da TAP, é escolher gestores capazes, que não sejam vistos aos olhos dos portugueses como militantes encartados ou boys, para quem era preciso encontrar um lugar, resistindo ao péssimo hábito, característico do socialismo.

Nos dois casos, dada a péssima gestão efetuada até agora, resta-nos ter esperança no melhor e esperar o pior. Pela forma como este Governo gere o país, esperar algo positivo é mesmo uma questão de fé.

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