Quinta-feira, 29 de Julho de 2021
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O padre Borges um sacerdote exemplar

Durante a minha vida de jovem estudante do ensino secundário, tive oportunidade de me cruzar com vários sacerdotes, conhecidos pelas suas qualidades humanas e pedagógicas, mas nenhum deles me marcou tanto como o saudoso Padre Dr. Manuel Teixeira Borges. Para além do exercício do múnus sacerdotal, o facto de lecionar nos quatro estabelecimentos de ensino […]

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Durante a minha vida de jovem estudante do ensino secundário, tive oportunidade de me cruzar com vários sacerdotes, conhecidos pelas suas qualidades humanas e pedagógicas, mas nenhum deles me marcou tanto como o saudoso Padre Dr. Manuel Teixeira Borges.

Para além do exercício do múnus sacerdotal, o facto de lecionar nos quatro estabelecimentos de ensino da cidade vila-realense, existentes à época – Liceu Nacional Camilo Castelo Branco, Escola Industrial e Comercial e os Colégios Moderno de São José e de Nossa Senhora da Boavista – contribuiu certamente, para ter uma melhor perceção da natureza humana.

A sua condição religiosa, associada ao modo de encarar a vida, repercutiu-se, indiscutivelmente, na simpatia e admiração que a esmagadora maioria da juventude estudantil, daquela época, por ele sentia.

Figura de grande porte atlético, de ar sereno e cativante, o Padre Borges, como nós carinhosamente o tratávamos, sempre de batina como era seu timbre, tinha por hábito conversar com os mais jovens, independentemente, da origem social de cada um, abordando os assuntos do momento, qualquer que fosse a sua complexidade.

Paralelamente à atividade docente, desempenhava também as funções de capelão no estabelecimento prisional da cidade, onde, habitualmente, celebrava a eucaristia dominical, fazendo-se, quase sempre, acompanhar por alguns jovens que o acolitavam na celebração religiosa. No final, fazia de cicerone, numa visita guiada às instalações prisionais, respondendo sempre às questões colocadas pelos seus interlocutores, sobre a vida prisional, nas suas múltiplas vertentes.

Fui um dos muitos jovens, desse tempo, que teve ocasião de o acompanhar num desses domingos, recordando-me de, no final da eucaristia, ter sido obsequiado com a visita às instalações da prisão e nos termos demorado numa cela especial, que mais não era do que um pequeno cubículo, onde o único recheio existente consistia num maciço de pedra que seria a cama destinada a quem tivesse a desdita de aí ficar confinado. Dizia o estimado Padre Borges que esse espaço diminuto e rudimentar estava reservado aos presos considerados perigosos, de comportamento agressivo ou que violassem gravemente as regras internas da prisão.

O Padre Borges, pela sua familiaridade, perspicácia, sabedoria e capacidade de auscultação e persuasão, marcou gerações de estudantes vila-realenses que ainda hoje recordam o sacerdote exemplar, que foi, e acima de tudo um verdadeiro humanista e pedagogo.

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