O País e a Crise

Relativamente à crise financeira que Portugal está a viver têm sido repetidos, até à exaustão, três pontos fundamentais: primeiro, que nestes últimos 30 anos, e mais acentuadamente nos últimos 15, vivemos, claramente, acima das nossas possibilidades, gastando, sistematicamente, mais do que o que produzimos, endividando-nos, irresponsável e perigosamente, para fazermos figura de ricos que manifestamente não somos; segundo, que a grave crise internacional conduziu-nos à eminência da banca rota, o que nos obrigou a pedir ajuda externa, quando já praticamente não havia dinheiro para as despesas correntes do Estado, e a ter de aceitar o programa de austeridade e reformas imposto pela “troika”, acordado e subscrito pelos três principais partidos políticos portugueses – PSD, PS e CDS; terceiro, a necessidade premente de reduzir a despesa, já que o aumento da receita só se pode conseguir aumentando ainda mais os impostos, obriga a um conjunto de reformas que naturalmente passam por haver menos dinheiro para tudo, como é o caso da educação, justiça, saúde, apoios sociais, investimentos, emprego, subsídios de férias e de natal, etc..

A maioria da população portuguesa percebeu perfeitamente o que lhe estava a acontecer, como as últimas eleições demonstraram, e foi interiorizando esta necessidade de reformas e os consequentes sacrifícios que estas acarretam. Quem está sempre contra tudo argumenta que não foi isto que foi prometido na campanha eleitoral, esquecendo-se que entretanto a dimensão do buraco financeiro foi aumentando, trazendo a dívida para níveis nunca antes conhecidos, e tornando o cumprimento das metas do deficit ainda mais difícil. É claro que as medidas anunciadas pelo governo são duras e penalizam fortemente os portugueses, nomeadamente aqueles com menos margem de poupança e de sacrifício. Neste sentido, espera-se e deseja-se que o governo adopte medidas de protecção adicionais

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