Segunda-feira, 2 de Agosto de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O papel de cada um

Mas por que será que se fala tanto de ir à praia? Será assim tão essencial o banho no mar ou ficar de papo ao sol, perguntava-me pessoa amiga em desabafo, face a tanto ruído noticioso. Questões pertinentes. Ainda mais quando, no meio de um problema de saúde tão grave, se reflete tanta ansiedade no […]

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Mas por que será que se fala tanto de ir à praia? Será assim tão essencial o banho no mar ou ficar de papo ao sol, perguntava-me pessoa amiga em desabafo, face a tanto ruído noticioso. Questões pertinentes. Ainda mais quando, no meio de um problema de saúde tão grave, se reflete tanta ansiedade no rosto de alguns dos entrevistados pelos “diretos” televisivos. Fazer deste assunto abertura de telejornais, num país com 943 km de costa, tão habituado ao marketing do sol e praia, não será de estranhar. Mas quando se vai aprofundando o conhecimento a respeito deste coronavírus – 19, que tanta ansiedade, medo e até desespero tem provocado, seria normal não se falar tanto de situações de risco. Desta e de outras. Algumas delas, inconcebíveis.

Numa passagem pela comunicação social internacional, ou pelo que vamos sabendo através dos meios nacionais, pode surgir com grande propriedade a expressão “felizmente que estamos em Portugal”. Depende do ponto de vista. Se é verdade que o nosso Serviço Nacional de Saúde respondeu de forma globalmente muito positiva às exigências da pandemia em que temos estado envolvidos, nem todas as peças têm funcionado em pleno. O nosso Estado Social sai reforçado, pois foi capaz de responder às situações mais graves e difíceis. E a atitude individual de cada um? Será que todos sentimos que demos o nosso melhor contributo para resolver estes problemas? É natural que a ação do Governo não agrade a todos, que a Direção Geral de Saúde, aqui ou ali, mereça algum reparo. Aliás, a vantagem do sistema democrático, em situações de crise como esta, reside na abertura ao escrutínio permanente feito pela oposição, ou pelos media. Mas há sempre alguém com um espírito crítico tão apurado que encontra aqui e ali motivo de desconfiança, ou, então, convicto da excelência do seu “achismo” sente-se no direito de mandar os seus palpites a propósito de tudo e de nada.

Cá como noutros países, o papel e contributo de cada um também deve ser avaliado. Afinal, praias não as há só por cá. E atitudes de desleixo há-as por todo o lado. Basta assistir a um dos jornais televisivos. As manifs de Madrid e no Brasil – loucos?… – no último fim de semana, os bares a transbordar em algumas cidades da Suécia, as praias da Califórnia! E as de Carcavelos, ou da Caparica, ou outras? Aqui, mas por todo o lado, nas ruas também, se faz notar se somos, ou não, responsáveis e empenhados em colaborar neste combate.

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