Sábado, 12 de Junho de 2021

“O Sabroso merece um campo relvado”

Nem toda a gente conhece o dia-a-dia de um clube, dos seus bastidores, das tarefas que é preciso fazer (de rotina ou extraordinárias), das pessoas que trabalham nos gabinetes, nos escritórios, nas lavandarias, na manutenção e melhoria do campo, no ginásio e no gabinete médico, na limpeza dos balneários, na água, na luz e no gás, no serviço de bar, por aí fora.

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E, no entanto, eles existem, esses homens dedicados que sentem pulsar o coração, cada vez mais, à medida que o tempo de serviço praticamente voluntário e gracioso também aumenta. São pessoas que conhecem bem a História e a realidade dos clubes a que pertencem, que recordam tantos nomes de pessoas que por lá passaram e que já lá não estão. Defendem processos de renovação, de melhoria e consolidação, mas também se lembram de momentos de magia e de desespero, de conquistas e derrotas, de datas inesquecíveis, de viagens e da animação nas bancadas, das claques e dos convívios.

"O Sabroso tem formado muitos atletas jovens”

É o caso de um homem que nasceu e vive em Sabroso de Aguiar. Tem 63 anos de idade. Trabalha na Junta de Freguesia e já se não lembra do dia em que começou a dar o seu contributo ao clube da sua terra: o Sabroso Sport Clube que disputa este ano o campeonato da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Vila Real. Chama-se Armando Augusto Roque. Não há quem o não conheça na aldeia que é sede de freguesia, no limite norte do município aguiarense, entre o Vale de Aguiar e as terras da Ribeira de Oura e da Veiga de Chaves, onde já houve termas e comboio, autos de natal ao vivo e um rancho folclórico e o mosteiro do Loreto. Onde está sepultado o general MacDonnel, vítima mortal das lutas liberais. E o João Vilanova, animador, músico, professor, um nome da cultura local. Uma terra de Anjos e Magalhães, famílias que sempre se entregaram ao clube, fazendo-o crescer.

“Gosto muito da minha terra e daquilo que ela tem de bom, o clube é muito importante para a vida das pessoas, especialmente da gente mais nova.

Como tantos outros, também houve um período em que Armando emigrou para a Suíça, “mas não estive lá muito tempo. Regressei e desde então tenho estado a trabalhar na junta de freguesia e no clube, neste de forma voluntária”.

O apoio ao clube manifesta-se de várias formas.

”Ando por aí, vejo se está tudo bem, trato do estado e das marcações do campo, incluindo as bancadas e as balizas, deito uma mão onde for preciso”. No entanto, gostava de ter um cartão associativo que oficializasse a sua ligação ao futebol em geral e ao clube em particular. “Afinal, já são bastantes anos, já conheci muitos presidentes e muitos jogadores, acho que devia ser mais reconhecido”.

 

"O clube é muito importante para a vida das pessoas”

 

Momentos bons e maus já os viveu a todos.

“Estivemos uns tempos parados, em seniores, foi uma pena, mas mantivemos os escalões de formação. Temos formado muitos atletas, a maior parte dos jogadores que alinham no Sabroso são da região. Mas felizmente, regressámos à competição. Não podemos esquecer que, na História do clube, já ganhámos a Taça da AFVR e já estivemos na Taça de Portugal” – relembra.

Armando Augusto Roque tem um desejo:

“O Sabroso merece que o Campo da Avenida seja relvado”. E com ele rematou a nossa conversa.

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