Vila RealOito municípios unidos na nova empresa Águas Interior Norte

Oito municípios unidos na nova empresa Águas Interior Norte

Nova empresa vai investir 17 milhões de euros em intervenções nas redes de saneamento e reabilitação de Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), para despoluir as massas de água

Está constituída a nova empresa Águas Interior Norte, que une oito municípios e vai servir 105 mil habitantes dos concelhos de Vila Real, Santa Marta de Penaguião, Mesão Frio, Sabrosa, Murça, Peso da Régua, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta.

Numa cerimónia que decorreu nos claustros do antigo Governo Civil, em Vila Real, o ministro do Ambiente e Ação Climática, Pedro Matos Fernandes, sublinhou a importância da nova empresa para os desafios futuros que se colocam na gestão da água. “É muito importante para a região e não só, uma vez que traz uma maior capacidade de gestão e de investimento neste setor”, referiu, adiantando que este foi um desafio lançado pelo Governo no sentido de as autarquias se agregarem para gerir as suas redes de abastecimento de água e de recolha e tratamento de efluentes”.

O governante acrescentou que este projeto “é mesmo importante para que possa haver uma maior capacidade de gestão e de investimento num setor tão sensível como é o abastecimento de água e do tratamento de efluentes, fundamental para garantir que os rios se mantêm despoluídos”.

Pedro Matos Fernandes disse ainda que o Governo está a investir 700 milhões de euros no ciclo da água, em que 100 milhões são precisamente para as agregações como está a acontecer com estes municípios do Douro. “Ainda faltam fazer muito investimentos, mas o sucesso desta medida está no facto de as autarquias se comprometerem a avançar com este processo, que é o caminho certo”. 

O ministro sublinhou também a necessidade de se apostar em tecnologia para se poupar água, uma vez que ainda existem muitas perdas, com os contadores velhos, erros na faturação e ausência de tecnologia para detetar perdas. Por isso, Pedro Matos Fernandes lançou um apelo para todos pouparem água. “É a única coisa que podemos fazer”. 

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style="font-size:14px">RUI SANTOS DEIXOU CRÍTICAS À ÁGUAS DO NORTE

O presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, criticou o maior fornecedor da nova empresa, a Águas do Norte, que considera “ser o maior perigo” ao sucesso da nova empresa, que agrega oito municípios durienses, deixando de fora Carrazeda de Ansiães e Alijó, mas por motivos diferentes. 

Segundo o autarca, a “relação de litigância instalada e de desconfiança”, com o seu maior fornecedor, a Águas do Norte, “poderá minar um futuro que se adivinha risonho”, disse, acrescentando “que “não é compreensível que a posição de dominância e de monopólio das Águas do Norte lhe permitam, por exemplo, avaliar infraestruturas em alta, que pretendem incorporar no seu património, depreciando fortemente o seu valor, tentando ganhar vantagens financeiras à custa das autarquias e, em última análise, dos clientes finais que são os munícipes”.

No discurso, Rui Santos frisou ainda que “não sendo possível trabalhar com o atual fornecedor de água em alta, estamos disponíveis (a nova empresa agora criada) a assumir essa gestão e verticalizar o setor para estes primeiros oito municípios e para todos os outros que pretendam vir a tornar-se associados”.

Preocupado com o “mal-estar” entre as partes, o ministro reuniu da parte da tarde com a administração das duas empresas e a VTM sabe que chegaram a um entendimento e que os problemas estão aparentemente ultrapassados”.  

 

PCP protesta contra “privatização da água”

Antes da constituição formal da nova empresa “Águas do Interior Norte”, que vai gerir a água em oito municípios do Douro, o PCP fez uma manifestação pacífica em frente ao edifício do antigo Governo Civil de Vila Real.

Com um cartaz onde se podia ler: “A água é um direito, não um negócio”, o dirigente Filipe Costa referiu que a Águas Interior Norte e os moldes em que foi criada, representa “mais um passo no processo de privatização do setor da água”, que foi iniciado em 1993 com a criação de sistemas multimunicipais, que, segundo os comunistas, pretende transformar a água, “um bem público e inalienável”, num “chorudo negócio gerido por privados”.

Filipe Costa alerta para os caminhos percorridos ao longo destes anos que vai levar ao processo “de privatização do setor da água e saneamento”, em detrimento do envolvimento e esclarecimento das populações, de quem se esconde as consequências e “aumentos brutais” dos custos associados a este processo. “Não temos dúvidas que haverá impactos significativos na atividade económica da região, nomeadamente no setor agrícola”.    

Este dirigente chamou ainda a atenção “para o aumento do preço da água” em alguns concelhos com a constituição desta nova empresa. “É um facto consumado que isto se verificará, até porque há um plano de viabilidade económica da empresa que, a propósito da harmonização das tarifas, refere que há concelhos, nomeadamente Peso da Régua, em que verificará, no espaço de cinco anos, aumentos na ordem dos 300 por cento na fatura da água”, alertou, adiantando que o PCP vai continuar a denunciar estas situações e agirá em defesa da água como um bem público. “Tudo faremos para informar, envolver e mobilizar os trabalhadores e as populações com vista a interromper este processo”.  

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