Os atrasados

Cada vez que se comemora a data do 25 de Abril de 74, aparecem sempre uns fulanos que se arvoram em donos dos ideais de Abril, perorando aos quatro ventos, sobre as virtualidades e pureza do programa do MFA, com uma verborreia bafienta que causa náuseas e fastio ao cidadão mais humilde. Aqueles que mais se destacam neste tipo de atitudes e actos festivos padecem do pecado original de terem aderido tarde e a más horas às operações militares que levaram ao derrube do antigo regime. Alguns deles tomaram mesmo parte em manobras de intimidação contra as forças vitoriosas, como foi o caso tão propalado da fragata Gago Coutinho, fundeada no Tejo, frente ao Terreiro do Paço, que chegou a receber instruções para bombardear os rebeldes que aí se encontravam a participar no cerco às instalações do Ministério do Exército.

Toda a gente sabe que o golpe militar de 25 de Abril foi desencadeado e consumado, exclusivamente, pelo Exército, tendo como base reivindicações de carácter corporativo que afectavam a classe dos capitães, oriundos da Academia Militar. A adesão da Força Aérea e da Armada, ao MFA, foi tardia e a reboque dos acontecimentos, tendo sido decidida quando era já irreversível a derrota do regime marcelista. Uma grande parte de elementos da Armada e da Força Aérea, designadamente, ao nível da classe de oficiais, acabou por se evidenciar, na tomada de posições extremistas e radicais, ultrapassando pela esquerda muitos dos seus camaradas do Exército, provavelmente, querendo com isso demonstrar que, apesar de chegarem atrasados ao grande

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