Está difundida, erradamente, a ideia de que religião e política são dois mundos separados e que um católico honrado e piedoso «não se mete na política». Nada mais errado. Quem assim pensa é porque desconhece todas as exigências e implicações da sua condição de cristão católico. Infelizmente, a palavra política está refém das manobras e dos jogos dos partidos políticos, com todo o interesse e tacticismo e toda a astúcia e sujeira que os acompanham. Mas a política, a boa política, é muito mais do que isto, que, muitas vezes, é denominada de politiquice ou baixa política e com toda a razão. Esta não nos deve interessar e é lamentável, mas a boa política deve ser uma preocupação de um católico.
Por política pode entender-se o debate público, aberto à participação de todos, onde se expõem os anseios e os problemas que afetam a sociedade e se definem as ações, soluções e procedimentos para os atingir e sanar. Política é a arte de bem gerir e governar uma sociedade ou comunidade, em ordem à sua realização, debater e escolher o melhor para a vida coletiva. Assim sendo, não nos é difícil perceber que é um dever de todo o católico integra-se e envolver-se na política, porque faz parte da sociedade e não pode viver indiferente às orientações e ao rumo da sociedade, em todas as suas dimensões, mas, pelo contrário, deve procurar influenciá-lo a partir da sua fé.
A fé cristã não é algo que se tem só para viver dentro das igrejas ou em privado, longe dos holofotes da vida pública, e muito menos é um ópio para se ir vivendo uma vida alienada do mundo. A fé cristã é compromisso, desafio, missão, intervenção (no bom sentido da palavra), porque nenhum cristão católico se salva sozinho, metido só na sua consciência e nas suas devoções, mas enquanto reparte o que recebe, levando o evangelho a todos para a salvação de todos, ou seja, salva-se enquanto salva o mundo em que vive, levando o espírito evangélico e o Reino de Deus a todas as realidades da vida humana e do mundo.




