Os herdeiros do Príncipe

A política é como é, e não como gostávamos que fosse. A frase não é minha. Foi escrita em 1513 por um senhor chamado Maquiavel, notável homem público que um dia decidiu contar ao mundo as misérias da governação, os labirintos dos interesses obscuros, o lamaçal dos acordos de circunstância, os horrores dos meios de que o Homem é capaz de se servir para atingir os seus fins. Em suma: Maquiavel escreveu sobre a política real, e não sobre o sonho da dignidade da mesma.

A forma desbragada como o fez, aliada à sua conduta pública – também ela cheia de desafios ao Poder instituído – não lhe concederam uma vida fácil. Foi preso, torturado, marginalizado, mas o certo é que a História ainda hoje o lembra, e sempre o há-de lembrar. Afinal, a sua obra é actual, e assim será eternamente caso o Homem não ganhe juízo um dia.

Do que nos ensinou, sabemos que o dinheiro e o Poder andaram sempre de mãos dadas. O segundo serve o primeiro. E ter o primeiro é ter nas mãos o segundo. Depois, a riqueza como finalidade de vida, a riqueza incomensurável, uma espécie de dependência que reclama cada vez mais

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