Terça-feira, 15 de Junho de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Os Padrinhos de Batismo

Penso que seria bom a Igreja refletir sobre a figura do padrinho de Batismo e os requisitos que exige para que alguém possa assumir este múnus diante de Deus e da Igreja.

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Segundo o direito canónico, os padrinhos de batismo devem ser pessoas que vivam seriamente a fé cristã, já tenham recebido os três sacramentos da iniciação cristã (batismo, confirmação e eucaristia). Não podem viver maritalmente com alguém, devem ser casados pela Igreja ou estar solteiros. Um padrinho de batismo deve ser um modelo para o crescimento na vida de fé do afilhado, levando uma vida em conformidade com os valores e os preceitos da Igreja. 

Não digo que isto não esteja bem pensado. Mas é um idealismo e um primor normativo muito difícil de pôr em prática, num tempo em que já não estamos em cristandade. E penso que estamos a exigir muito a um múnus que não tem assim tanta importância no crescimento da fé de uma pessoa. Um padrinho de batismo tem uma influência secundária no percurso cristão de uma pessoa. São muito mais importantes os pais, os avós, a catequista, até amigos próximos da pessoa. 

Muitas famílias, que vêm pedir à Igreja o batismo para os seus filhos, estão mais preocupadas em arranjar compadres do que em escolher uma séria referência cristã para os filhos. Muitas estão completamente desinformadas sobre os requisitos e critérios exigidos pela Igreja. Ainda o filho não nasceu e já fizeram a promessa a uma pessoa de que será o padrinho ou a madrinha, sem antes terem falado com a Igreja, que tem razão quando chama a atenção para a fé e para que haja uma verdadeira preocupação pelo seu crescimento, com pessoas exemplares, verdadeiramente capacitadas e comprometidas para isso. Mas está a exigir demais a uma figura que não vai ter assim tanta relevância como isso, como é o padrinho ou madrinha.   

Não há padre que já não tenha passado por alguns dissabores e algumas discussões por causa dos padrinhos de Batismo. Alguns dirão que são ossos de ofício. Alguns até dizem que é um calvário, porque há muita incompreensão e muita dificuldade em harmonizar as expectativas da Igreja e das famílias. Não sei se o caminho a seguir é dar-lhe o estatuto de testemunha. Mas penso que seria importante, quanto antes, definir uma nova normativa pastoral para o múnus de padrinho de batismo. 

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