Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Padre Portelinha — um Homem bom que nos deixou

Pessoa altruísta que colocou em primeiro lugar o bem comum, requisito maior do valor humano. Viveu aureolado de amplitude espiritual visando o respeito inalienável pelo outro como um seu semelhante

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Padre Portelinha era um homem afável, simples e comunicativo, bom ouvinte, espontâneo, de imensidade religiosa assinalável. Andava na rua e parava para ouvir e ajudar. Quando confrontado com as pessoas, nunca manifestava pressa de sair, antes deliciava-se com a presença de qualquer ser humano.

Era um Homem extraordinário de “humildade”… um Padre que ajudou os seus paroquianos a formarem um espírito de elevação humana e de justiça.

Há Homens que vêm de Deus e para Deus caminham com o seu exemplo de vida. Em Padre Portelinha encontrámos essa figura que soube viver em comunhão com a Palavra da luz e da razão, sabendo catequizar o povo das suas paróquias, que nele encontrou o refúgio do conforto espiritual, a palavra amiga ornamentada de sorriso e de esperança.

No meio da fuzilaria de ódios e paixões, da bárbara vida que nos cerca e nos tortura, Padre Portelinha foi a voz terna e amiga, a voz adornada de inspiração fraternal. Nela, facilmente se ficava preso pela poesia da oratória que fluía cristalina como fio de água que corre sobre o macio ouro da areia.

Este sacerdote era também conhecido como humanista, homem de sensibilidade e cultura. Cantava bem… refinado de sensibilidade. O seu timbre de voz era a imagem do seu coração. Pela eloquência da palavra cantada ele se elevava e definia como servo de Deus ao serviço dos mortais.

Há seres humanos que pelo seu exemplo de vida devem ser lembrados para que outros os copiem no que de grandioso fizeram. Padre Portelinha foi esse sacerdote virtuoso tocado pela chama que confere ao ser humano a espiritualidade da sua existência na harmonia plena da criação do mundo.

Em tempos era aclamado como pregador… quem o ouvia entusiasmava-se de emoção. Impossível ficar indiferente à força e sentido da sua homilia. Natural de Telões e ordenado sacerdote em 1955, tinha a bonita idade de 92 anos de idade e 65 de dedicação ao sacerdócio. Foi professor em várias escolas e padre em muitas paróquias do concelho de Vila Real. Tive o privilégio de lecionar com ele. Nunca ouvi dele uma palavra de protesto, uma zanga, uma ameaça. Antes, a todos mostrava o caminho da esperança, o deleite da razão, a doçura do sorriso. Os alunos respeitavam-no, os professores admiravam-no.

Mateus o lembrará como um padre generoso que abriu sempre o seu coração aos outros em sinal de respeito, humildade e igualdade.

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