Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Para uns é progresso, para outros retrocesso

António Barreto é um pensador que escreve verdadeiras sentenças.

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Os seus artigos são homilias matinais que se ouvem e se interiorizam como vitaminas que são necessárias para nos mantermos de pé.

Lembro-me dos primeiros governos pós-25 de Abril, em que ele foi ministro da Agricultura. Conotado com o PC, viu-se e reviu-se envolvido em situações políticas, que desagradaram a todos.  

Na edição de 15 de junho último assinou no Público mais um desses artigos que fazem doutrina, por oportunos, sérios, frontais e pedagógicos. Veja-se:

Muitos pensam que a História é feita de progresso e desenvolvimento, de crescimento e melhoramento. Esperam que se caminhe do preconceito para o rigor, do mito para o facto. e da submissão para a liberdade.

Infelizmente, tal não é verdade. Não é sempre verdade. Republicanos, corporativistas, fascistas, comunistas e até democratas mostraram, nos últimos séculos, que se dedicaram com interesse à revisão seletiva da História, assim como à censura e à manipulação.

Esta é a moral que deve refletir-se na informação que nos passa pela frente a todo o instante. O mundo está confrontado com uma pandemia que não sendo caótica, assusta crentes e descrentes, velhos e novos, governantes e povo anónimo. Temos que ter, todos nós, a cabeça fria, a noção daquilo que pode acontecer, a prudência que devemos usar, nas circunstâncias com que possamos confrontar-nos, em qualquer tempo e lugar.

Muitos de nós pensávamos, há cinquenta anos, que era necessário rever os manuais, repensar os mitos, submeter as crenças à prova do estudo, lutar contra a proclamação autoritária e defender com todas as forças o debate livre.

«É possível que, a muitos, tenha ocorrido que faltava substituir uma ortodoxia dogmática por outra. Mas, para outros, o espírito era o de confronto de ideias, de debate permanente e de submissão à crítica pública», esta é uma advertência séria de António Barreto.

Este sociólogo duriense é um exemplo de como, também ele se viu envolvido, aquando da reforma agrária, com árvores, muros de fábricas, paredes rurais com dísticos como «a terra é de quem a trabalha».

O país suportou essa fúria laboral com legendas insultuosas, com nomes ofensivos para as mães, com bustos, pontes e prédios urbanos manchados de frases que emporcalharam, ofenderam e destruíram muita riqueza material e moral.

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