Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021
©MARIANA RIBEIRO

Parque Ambiental do Bucheiro espaço único na região

Com 18 hectares de área protegida, o Parque Ambiental de Ribeira de Pena é rico em biodiversidade e oferece diferentes tipos de atividades a quem o visita.

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A par da educação ambiental e da preservação da natureza, está ao serviço da vila e permite embelezar os vários espaços públicos com o cultivo próprio de plantas. Num futuro próximo, quer criar uma quinta pedagógica e encurtar a distância entre a realidade do mundo rural e a educação dos mais novos.

É logo à entrada da vila de Ribeira de Pena que encontramos o Parque Ambiental do Bucheiro. Com 18 hectares de floresta protegida, é um espaço único no distrito que visa proteger e valorizar o património ambiental, através da promoção de atividades lúdico-pedagógicas no âmbito da conservação da natureza.

Mais ainda, o Parque dispõe de um Centro de Interpretação que permite acolher os visitantes e disponibilizar informações. Este oferece condições para a realização de workshops, palestras, conferências, entre outras iniciativas, onde se inclui um auditório direcionado para a vertente da educação ambiental e da preservação da biodiversidade.
Além de uma biodiversidade ímpar ao nível da fauna e flora, o Parque inclui duas réplicas de elementos do património ribeirapenense, a Ponte de Arame e o moinho de água, além de vários observatórios, uma horta biológica, um horto e um jardim dedicado às plantas aromáticas.

FAUNA

A diversidade de habitats presentes no Parque Ambiental oferece condições únicas para a ocorrência de inúmeras espécies cinegéticas, além de albergar espécies autóctones da região. Para as observar, foi estabelecido um percurso pedonal, ao longo do qual os visitantes podem ir consultando a informação disponível sobre as diferentes espécies.

Os animais do Parque encontram-se em recintos que procuram reproduzir, o mais possível, o seu ambiente natural, não só para possibilitar a vida e a reprodução dos espécimenes cativos, como para ilustrar aos visitantes como é o seu habitat original.

Assim sendo, e como destaca Sambrine Silva, bióloga responsável pelo Parque, é preciso tempo, paciência e, preferencialmente, silêncio. “Não é como ir ao jardim zoológico. Nem sempre é fácil ver as espécies”. Por conseguinte, “não costumamos fazer visitas guiadas. Ao estarmos a explicar, produzimos ruído que leva a que os animais se escondam”.

No caso das escolas, “optamos por sugerir atividades como caça ao tesouro ou peddy-paper, onde podem explorar os vários observatórios. Como as crianças gostam de competir umas com as outras, vão à procura da informação e acabam por conhecer muito mais por si próprias”.
Além de várias espécies cinegéticas do nosso país, como mamíferos e aves, sazonalmente, podem ser observadas diferentes espécies migratórias em liberdade. Durante todo o ano é possível, ainda, privar com a mascote do Parque, a curiosa Kika, uma gata que nos vai acompanhando os passos caso não esteja demasiado ocupada a observar as tartarugas que por ali também habitam.

FLORA

O Parque Ambiental do Bucheiro é rico em flora autóctone, “como os carvalhos e os castanheiros”, além de zonas arbóreas de múltipla vegetação que, tantas vezes, servem de alimento a diversas espécies animais que ali residem.

Além de tudo isto, o Parque tem uma horta pedagógica e uma área com plantas aromáticas e medicinais. Estas, após passarem por processos de secagem, higienização e embalamento, são colocadas à disposição do público.

O Parque está, também, ao serviço da vila. Através de um pequeno horto com estufa, permite embelezar os vários espaços públicos do município de Ribeira de Pena com o cultivo in loco de plantas. Albino Moura explica que, ali, “faz-se um bocadinho de tudo. Temos aqui várias espécies, umas com sementes, outras com estacagem ou transplantadas, que ficam à disposição dos jardins, floreiras e canteiros da vila”.

O horto do Parque “é um projeto com três anos”, que muito orgulha Albino. “Tudo é feito por mim. Os jardins da vila já receberam centenas de plantas nossas. Mesmo que não sejam produzidas aqui, porque nalguns casos não é possível, sou eu quem as planta e deixa tudo pronto a ser colocado na vila”.

ATIVIDADES A MEIO-GÁS

A atividade do Parque vai retomando a pouco e pouco. A visita de grupos tem sido escassa, por força da pandemia. Os que vêm resultam de uma parceria com o Pena Aventura Park. “Recebemos grupos que reservam uma manhã ou uma tarde da sua estadia para virem até aqui, o que acaba por trazer pessoas à vila”, destacou a bióloga.

“Em relação às escolas, ainda não sabemos como vai ser, se os alunos vão poder retomar este tipo de visitas e atividades. Também ainda não foi possível recomeçar as atividades com os idosos dos centros de convívio, que muito gostam de vir ao Parque, sobretudo ao jardim das aromáticas”.

No verão, “especialmente neste último, além da proximidade com as piscinas, que acabou por nos trazer muitos visitantes, o que correu melhor foi a realização de piqueniques. Recebemos chamadas de famílias a perguntar se podiam trazer comida e vir almoçar ao Parque. Com a pandemia, as pessoas começaram a procurar opções diferentes, ao ar livre, o que, para nós, foi uma mais-valia”, enalteceu Sambrine Silva.

O Parque também costuma receber grupos em dias específicos, no âmbito de atividades desenvolvidas pelo município. “Em outubro tivemos o Dia do Animal, um dia muito importante e, habitualmente, cheio de atividades, mas que também terão de ficar para o ano”, lamenta a bióloga, aguardando por melhores dias a partir da primavera.

PRÓXIMOS PASSOS

“O nosso maior problema é conseguirmos novas espécies de animais. Estamos com défice de aves, por exemplo. Basta um inverno mais rigoroso para registarmos vários óbitos. Optamos por adquirir poucas aves ou tentar trocar por outras espécies. A maioria das aves que aqui podem ser observadas andam à solta e são migratórias”.

Por conseguinte, o Parque pretende fazer da atual área dedicada às aves “uma quinta pedagógica. Estamos a tentar lutar por isso. É um objetivo a curto prazo que vai ao encontro de outro propósito maior, o de atrair visitantes. As pessoas de cá se calhar já estão fartas de ver ovelhas e cabras, mas quem vem de fora não. A ideia é satisfazer toda a gente. Não é todos os dias que se vê um veado ou um javali, tal como há pessoas que não veem galinhas com regularidade”.

Esta quinta possibilitaria, ainda, “a realização de outro tipo de atividades, como a tosquia às ovelhas. Cada vez mais se perde esta realidade. Há muita gente que não tem quintal, que não consegue explicar aos filhos de onde vêm os alimentos e que o leite não nasce no pacote”. Para Sambrine Silva, “a pandemia veio acelerar esta necessidade de estar em contacto com a natureza e com o mundo rural. Aqui temos essas condições e podemos oferecê-las aos mais diversos tipos de público, a começar pelos mais novos”. Outro plano arrumado na gaveta, por força da pandemia, será “uma futura rota do pão, um objetivo do município, e que envolveria o uso do moinho do Parque”.

O Parque Ambiental pode ser visitado, gratuitamente, de segunda a domingo, das 10h às 18h. Para visitas de grupos, basta existir uma marcação prévia com o Parque, que fica responsável pela programação do dia e das respetivas atividades, também elas gratuitas.


Espécies cinegéticas

“São espécies que se encontram em estado selvagem, numa determinada área, e que podem ser caçadas. Ou seja, existem em densidades suficientes para tal e há legislação que o permite fazer”. As espécies existentes no Parque, “tal como o veado (Cervus elaphuse) e o corço (Capreolus capreolus), espécies cinegéticas ditas de caça maior, representam uma importância crucial a nível biológico e, também, a nível económico. Não deve, porém, haver conflitos entre eles”.

Uma vez que “para a sobrevivência destas espécies é necessário a existência de habitats que forneçam, simultaneamente, alimento e proteção, quanto maior a heterogeneidade e a adequabilidade dos mesmos à sobrevivência e reprodução das espécies, melhor”, explicou Carolina Ribeiro, Mestre em Ecologia pela Universidade de Coimbra.

Segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, em Portugal existem cinco “regiões cinegéticas”. Ribeira de Pena é um dos concelhos que integra a primeira região.

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