Apesar dos sucessivos cortes das verbas da Administração Central para os municípios, estes tentam evitar o seu reflexo negativo nos investimentos previstos para os seus concelhos, recorrendo às comparticipações dos fundos comunitários. É uma “finta” difícil de fazer já que os valores não cobrem a totalidade dos custos dos projectos, e os municípios têm cada vez mais dificuldades em assegurar a parte complementar do financiamento. Mesmo assim, ainda há algumas autarquias que vão mantendo uma cadência significativa de obras em prol do bem-estar das suas populações e também travando a própria desertificação das suas urbes. Um bom exemplo é o Município de Valpaços que assume no distrito um papel relevante no investimento público e consegue ainda fazer frente aos “PECs” e “Troikas”, com efeitos redutores nos seus orçamentos.
O presidente da Câmara Municipal de Valpaços, Francisco Tavares, deu a conhecer, ao Nosso Jornal, os empreendimentos que vão arrancar em 2012. “Das muitas obras que temos em execução, até ao próximo ano, iremos lançar mais quatro: adaptação do Lar “Amor de Deus” e da escola de música (1,5 milhão de euros), renovação e ampliação do Pavilhão Multiusos de Valpaços (1 milhão de euros), a segunda fase da Regeneração Urbana (2 milhões de euros) e pretendemos fazer o Parque da Cidade (2,5 milhões de euros)”.
O autarca desvendou um pouco dos quatro projectos, incidindo a sua atenção sobre o Parque da Cidade, que será construído nos terrenos adjacentes ao novo Centro Escolar. “Vamos adquirir os seis hectares dessa área e criar um espaço de excelência para cidade. Valpaços tem jardins, mas não possuí uma zona ampla e multifuncional de lazer, por isso iremos valorizar a parte central da cidade, onde o Parque irá unir o núcleo citadino ao Centro Escolar, pondo fim a um hiato em termos de aproveitamento e sem ocupação nenhuma dos terrenos existentes. Seguramente, irá ser a melhor zona verde da cidade e o espaço nobre de Valpaços. Um espaço atractivo, central, onde os valpacenses vão poder usufruir de zonas ajardinadas, lúdicas, pedonais e de descanso, equipadas com mobiliário de jardim e de lazer, pontos de luz e de água”.
Com a construção do Parque da Cidade, a zona periférica urbana será também beneficiada e o tecido habitacional será dinamizado. O projecto contempla ainda a requalificação da ribeira de Lavandeira, que vai sofrer um trabalho de acondicionamento e beneficiação das suas margens. A construção do Parque vai arrancar em 2012 e deverá estar concluído em 2013. Para esta intervenção, segundo o autarca, já há a garantia de fundos comunitários, que deverá rondar uma percentagem de 75 a 80 por cento de financiamento.
A ampliação do Pavilhão Multiusos é outra das obras previstas. “O que existe já não serve. Já temos terreno e estamos a tentar adquirir um outro, mais pequeno. A nova estrutura será contígua às actuais instalações, onde o novo edifício ficará integrado. O Pavilhão Multiusos é direccionado para as actividades económicas (Feira do Folar, dos Stocks, entre outras atracções). È um pavilhão pequeno para este tipo de eventos e tem muitas limitações para ser um espaço cultural. Pretendemos construir um novo pavilhão que seja capaz de dar resposta mais adequada às nossas necessidades. No próximo ano iremos avançar com a obra”.
Uma outra obra com reflexo na estrutura da cidade é a concretização da II Fase da Regeneração Urbana. “Já começamos com intervenções em termos urbanísticos. Esta segunda fase incidirá sobre a parte que não ficou intervencionada na primeira fase. Há garantias de financiamento, portanto é para avançar até 2012”.
O edifício que serviu anos a fio como o Lar da Congregação das Irmãs “Amor de Deus” será o futuro local da Escola de Música de Valpaços. O Município adquiriu o espaço por cerca de 750 mil euros e irá adaptá-lo para desenvolver as actividades musicais do concelho. “É um local central, bem integrado no tecido urbano”, sublinhou Francisco Tavares. Toda a estrutura será alvo de intervenção, mas a fachada será mantida, e a história arquitectónica do edifício será respeitada. “Todas estas obras não surgem por mero acaso, integram-se numa nova visão urbana que o Município tem para a cidade de Valpaços e uma preocupação constante de proporcionar uma outra qualidade de vida aos seus habitantes. Estas são as nossas matrizes”, concluiu o edil.




