Agostinho Chaves
Agostinho Chaves
Trata o jornalismo por tu. Colabora com a VTM há mais de 25 anos. Foi Diretor entre 2014 e 2019. Passou por meios de comunicação nacionais, como o Comércio do Porto e a Rádio Renascença.

Páscoa

Depois das cerimónias da Paixão (com a morte de Cristo) surgem as da Páscoa (com a ressurreição).

A Páscoa é, de todos, o mais belo momento do ano, especialmente para as comunidades religiosas cristãs. A Pascoa é a atitude da afirmação solidária dos Homens, depois da atitude fraterna de Jesus Cristo face a todos os Homens do mundo, seus irmãos. A Páscoa é ressurreição, sim, mas também renovação.

Os momentos da Páscoa conduzem-nos aos outros seres como nós e não só nas naves das igrejas onde as comunidades se aprimoram para a celebrar. A Páscoa é um momento de celebração.  Ouvem-se vozes harmoniosas em concertos corais. A voz humana é o melhor instrumento para nos aproximarmos do belo e do perfeito, desde a Oração até aos Cânticos. Nas ruas, relembram-se os momentos desde a Última Ceia até à ascensão ao Céu (e não aos céus). Os passos revelados por autos, com muita ingenuidade, mas com as boas intenções que a religiosidade popular implica e permite.

As famílias reúnem à mesa, com alegria.

O cordeiro (ou anho) – “Agnus Dei” – que, na tradição cristã, é o “Cordeiro de Deus” sacrificado com o sangue vertido como símbolo da libertação das impurezas e da purificação renovada e confirmada após a água lançada sobre as nossas cabeças no Batismo, continua a ser um elemento situado entre o divino e o humano. Os Homens sentam-se à mesa e comungam o “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”.
Os adultos comemoram a vida, as crianças celebram aqueles que, no batismo, serviram de testemunhas e se responsabilizaram pela sua conduta. Os afilhados interagem com os padrinhos:  oferecem o ramo e recebem o folar. Os idosos são sempre uma presença inestimável na beleza destes momentos únicos que se focam no passado (o seu) e atentam ao futuro (o dos seus descendentes).

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Mas há regiões do mundo onde isto não acontece.

Em conversa com dois sírios, muito recentemente, falei disto. Eles disseram-me que Páscoa é algo que não existe no lugar onde nasceram e de onde tiveram de sair. Ainda assim, eles esperam que haja, um dia, o seu Dia de Páscoa, na sua terra. Que surja também a Ressurreição: a da paz, a da temperança, a da harmonia, a da união, a da tolerância e da solidariedade que por ali andam perdidas.

Uma Boa e Santa Páscoa para todos.
 

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