Apesar da lista de empresas que faliram ou cessaram a sua atividade no distrito em 2011 ser extensa, Luís Tão, presidente da Associação Empresarial de Vila Real (Nervir), explica que o balanço entre o número de encerramento e de aberturas é positivo.
Segundo o dirigente associativo, se em 2011 perto de quatro mil empresas fecharam as portas, outras 4120 nasceram no distrito, um fenómeno que, em tempo de crise, “tem várias explicações”, entre elas a constatação de que “quando fecha uma grande empresa, no dia seguinte, abrem dez pequenas”.
Sublinhando que os dados continuam a ser tratados, Luís Tão explica no entanto que, se o balanço entre o número de empresas que encerraram e as que abriram no distrito pode ser positivo, no que diz respeito ao número de trabalhadores a realidade poderá ser bem diferente.
Luís Tão falou ao Nosso Jornal no dia em que se completou um mês desde o início da cobrança de portagens nas antigas autoestradas sem custos para os utilizadores (SCUT), nomeadamente na A24, uma medida do Governo que a Nervir continua a manifestar-se veemente contra.
“O balanço que se faz é que temos as pessoas e as empresas a optar pelas estradas secundárias. Estradas completamente pré-históricas, sem segurança e que agora estão cheias de camiões e carros, para cima e para baixo”, explicou o mesmo responsável.
A Nervir continua a defender que o distrito sempre pagou “os custos da interioridade” e, ao mesmo tempo, sempre foi “solidário com o país”. “Nós somos solidários com outras estruturas, como por exemplo com a CP ou com a Carris, estruturas altamente deficitárias e onde o princípio do utilizador pagador não se aplica. Somos solidários com o país, mas o país não é solidário connosco”, lamentou Luís Tão.
Outra das questões abordadas pelo presidente da Associação como uma medida que poderá ter um desfecho muito negativo no tecido empresarial da região foi o aumento do IRC aplicado às empresas do interior, de 15 para 25 por cento, sendo de sublinhar que o mesmo acontece para as empresas recém-criadas na região que, se antes tinham uma taxa reduzida de 10 por cento, viram agora o seu imposto comercial escalar até ao topo máximo. “As empresas do interior não podem ser vistas como empresas da primeira divisão, que não somos”, defendeu.
Mais, o representante dos empresários acredita que “se o Estado pensa pagar todos os prejuízos que os governantes causaram durante os últimos anos com este aumento de impostos” está enganado.
Sem os anteriores benefícios fiscais, o interior fica “sem argumentação para cativar investimento”, com a agravante de que toda essa região faz fronteira com a vizinha Espanha, o que faz com que as nossas “cidades tenham uma concorrência espanhola feroz em termos de IVA, de IRC e de outros impostos”, concluiu.
Deputados do PSD vão pedir “análise rigorosa” sobre os valores das portagens
Na sequência de um encontro com o presidente do Nervir, Luís Ramos, deputado do Partido Social-Democrata na Assembleia da República eleito pelo círculo eleitoral de Vila Real, reforçou que continua a defender o “princípio do utilizador pagador”, no entanto garantiu que “o Governo deve avaliar com muito rigor os valores que estão a ser praticados”.
“Será mau para o país e para região termos uma infraestrutura com essa qualidade que, por razões de um desajustamento no valor da portagem, não esteja a ter a utilidade que devia”, sublinhou o responsável político.
Lembrando que “há condições e restrições que têm a ver com negociações com as operadoras”, Luís Ramos defende que não se trata de “má vontade do Governo em alterar o valor das portagens”, mas sim, “em muitos casos”, de condicionamentos provenientes de “contratos que foram celebrados”.
Apresar de tudo, os deputados do PSD garantem que “vão continuar a debater para melhorar, caso seja possível, a situação”, uma vez que, como reconhecem, “são valores penalizadores para as empresas da região e podem contribuir para reduzir substancialmente o tráfego nestas vias”.






