Pela pequena vila de São Martinho de Anta, no concelho de Sabrosa, têm passado muitos curiosos para ver o rosto de Miguel Torga esculpido numa raiz de um negrilho, da autoria de Óscar Rodrigues.
A ideia de dar forma ao negrilho foi da união de freguesias de São Martinho de Anta e Paradela de Guiães, como o presidente José Gonçalves explicou à VTM que não estava à espera de tanta polémica quando pensou em imortalizar o rosto do escritor transmontano. “Nunca esperei tanta polémica, que tem trazido centenas de pessoas todos os dias à vila”.
O autarca revela que o negrilho simboliza “muito para os são-martinhenses”, que existe há mais de 500 anos, mas acabou por morrer. “Tivemos todo o gosto em mantê-la durante o tempo que foi possível”, no entanto, como “estava em podridão, não era possível fazer mais nada”, explicou, adiantando que a raiz esteve abandonada durante seis a sete anos numa parede, no Espaço Torga. “Pediram-nos para retirá-la de lá e nós quisemos continuar a ter o negrilho representado em São Martinho”.
A obra tem gerado muita polémica, com a filha do escritor, Clara Rocha, a ser uma das vozes mais críticas sobre a ideia que teve o presidente da junta, manifestando a sua indignação com a obra. “A intervenção na raiz do negrilho é uma profanação duma bela raiz centenária, duma obra da natureza que deveria ser exposta tal como era, de forma sóbria, apenas protegida das intempéries por um vidro com o poema de Torga gravado”.
Considerou ainda a obra “ridícula” e “feia” e que o seu pai “não merecia isto”.
“UM PRIVILEGIADO”
Desmarcando-se da polémica, o escultor Óscar Rodrigues diz que se sentiu “um privilegiado”, com o convite da junta de freguesia. “Para além de ser uma homenagem ao Torga, a ideia também foi homenagear a árvore, que tem centenas de anos e estava jogada a um canto. Já tinha alguns podres, que lhe foram retirados, para preservar de uma maneira eficaz, o que acho que foi conseguido”.
Sobre o título da obra “Torga e as suas raízes”, o artista revela que tentou atribuir-lhe a força que Torga ia a buscar às origens, às suas raízes. “Foi criada aqui uma simbiose, uma comunhão, entre o que eu entendo ser suficiente para se perceber quem é o Miguel Torga. Porque para quem não sabe, não veio visitar e às vezes fala de cor, a parte das raízes só foi lavada, retirados os
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