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Portugal unido no combate à vespa do castanheiro

Se nada fosse feito, cerca de 90 por cento da produção de castanha estava em risco. Tal como este ano, em 2016 o primeiro ataque à doença vai ser realizado no final do mês de abril

Três dezenas de municípios portugueses, de norte a sul do país e também alguns da Madeira, Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, do Centro e da Madeira, Instituto Nacional de Agrária e Veterinária, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Instituto Politécnico de Bragança e o de Castelo Branco, e a RefCast, estão unidos em torno do combate à vespa do castanheiro. Esse mesmo compromisso foi assumido na sexta-feira em Lamego, altura em que foi assinado um protocolo entre estas entidades, que já estão a trabalhar no plano de ação de 2016.

A região do Minho é a mais afetada por esta doença que chegou aos castanheiros em maio de 2014, sendo que em Trás-os-Montes chegou em abril deste ano, ou seja um ano depois de ser encontrada pela primeira vez no nosso país.

José Gomes Laranjo, presidente da RefCast e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), ficou satisfeito com a adesão de tantos municípios e entidades para atacar uma doença que pode dizimar cerca de 90 por cento da produção de castanha. “Se nada fosse feito, cerca de 90 por cento da produção estaria em risco. Há regiões em Itália onde a vespa saiu fora de controle e a produção caiu cerca de 80 por cento, em que os castanheiros no verão pareciam que estavam no inverno”.

Para que isto não aconteça no nosso país, o investigador garante que a única solução passa pela luta biológica, que terá de ser implementada em finais de abril de 2016. Para isso, é necessário realizar as encomendas já este mês, uma vez que as galhas com o parasita são colhidas agora no inverno. “As encomendas têm de ser feitas agora e este protocolo é importante para percebermos quais são os municípios que estão com esta causa. As largadas têm um tempo para serem feitas, que será na última semana de abril e a primeira de maio, de acordo com o que aconteceu este ano”, sublinhou José Gomes Laranjo.

A luta biológica consiste na largada de parasitóides, insetos que se alimentam das larvas que estão nos castanheiros e são capazes de exterminar a vespa. Em 2016, a RefCast prevê realizar 200 largadas, que custam entre 50 a 60 mil euros.

Este protocolo visa acautelar o financiamento, que este ano foi assumido pelo Ministério da Agricultura e pelo Instituto Politécnico de Bragança. No entanto, em 2016 os custos “serão repartidos com os municípios”, uma vez que o Ministério, as instituições de ensino superior e a RefCast já estão por trás de todo o processo e têm custos com os recursos humanos, a prospeção, a zonagem, o planeamento das largadas, o processo logístico relacionado com a importação, entre outros.

Este protocolo significa que há “vontade” do município para promover a luta biológica no seu concelho, caso ela seja necessária.

 

Valpaços na linha da frente no combate às doenças do castanheiro

 

O presidente da Câmara de Valpaços, Amílcar Almeida, sublinhou a importância da castanha para o seu concelho, que representa 45 por cento da produção nacional, por isso o município que preside tem estado “empenhadíssimo” no combate à vespa do castanheiro, além das outras doenças que afetam as árvores. “Não basta a luta biológica. Nós, aquando da rebentação das árvores, vamos estar no terreno no sentido ajudar a identificar os focos da doença. Para isso, vamos constituir novamente brigadas, com os custos suportados na totalidade pela autarquia, e vamos percorrer todo o território do nosso concelho”.

Para além desta praga, há ainda o cancro e a tinta que preocupam a autarquia, que, em conjunto com as juntas de freguesia, tem alertado os produtores para este problema. “Como alguns soutos estão entregues a pessoas de mais idade, nota-se um claro abandono dos terrenos e é sobretudo aí que a doença aparece. Já nas plantações mais novas, como estão entregues sobretudo a jovens, nota-se um cuidado acrescido na manutenção dos espaços limpos e cuidados”.

Por último, o autarca afirmou que um concelho como o de Valpaços, que tira um rendimento de cerca de 50 milhões de euros da produção de castanha, não poderia ficar de fora deste protocolo.

Duarte Marques, vereador da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, referiu que o seu concelho também tem estado atento às doenças que afetam a produção de castanha e tem-se desdobrado em ações de sensibilização junto dos produtores. “A zona da Padrela, sendo uma das mais importantes do país, há que estar atento a todos os focos da doença. Por isso, a autarquia teria de fazer parte deste protocolo, para evitar que a vespa arrase a produção de castanha, como aconteceu em Itália, por exemplo. Pensamos que esta luta conjunta é a melhor forma de combater esta praga, uma vez que se ganha escala e eficiência. É também a melhor forma de fazer chegar a informação aos agricultores”, conclui este responsável.

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